Demência cresce na América Latina enquanto cai em países ricos
Pesquisa inédita com 16 mil idosos revela aumento da prevalência entre 2003 e 2020 em cinco países latino-caribenhos
Um estudo recente publicado na revista JAMA Neurology revelou um aumento significativo na prevalência de demência entre idosos na América Latina e Caribe. A pesquisa acompanhou mais de 16 mil pessoas com 65 anos ou mais em cinco localidades: Cuba, República Dominicana, México, Peru e Porto Rico, entre os anos de 2003 e 2020.
Os dados indicam que a taxa global de demência subiu de 10,6% para 16,9% no período analisado. Esse crescimento contrasta com o cenário observado em países de alta renda, onde os índices de demência têm se mantido estáveis ou até diminuído. O estudo foi conduzido pelo grupo internacional 10/66 Dementia Research Group.
Diferenças regionais no avanço da demência
A prevalência da doença não evoluiu da mesma forma em todas as localidades. Em Cuba e na República Dominicana, os índices permaneceram estáveis. Já Porto Rico apresentou o maior aumento, com um acréscimo de 5 pontos percentuais. México e Peru também registraram elevações expressivas, de 4,9 e 4,1 pontos percentuais, respectivamente.
O estudo destaca que, mesmo após ajustar os dados para fatores como escolaridade, hábitos de vida e controle de doenças vasculares, o aumento da demência em México e Porto Rico persistiu, indicando que múltiplos fatores contribuem para esse fenômeno.
Desafios para prevenção e assistência
Os pesquisadores relacionam o crescimento da demência a falhas históricas na mitigação de fatores de risco modificáveis, como o acesso limitado à educação de qualidade, sedentarismo e manejo inadequado de doenças cardíacas e metabólicas. Além disso, a falta de redes coordenadas para diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo dificulta o cuidado adequado.
Na prática, a maior parte do suporte recai sobre as famílias, que muitas vezes não dispõem de orientação ou recursos suficientes. O estudo ressalta a urgência de investimentos em atenção primária e na capacitação de profissionais em geriatria e neurologia para melhorar a assistência aos pacientes.
Novidades no tratamento do Alzheimer
Em paralelo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o lecanemabe, medicamento desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai. Indicado para adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve devido à doença de Alzheimer, o fármaco atua na fase inicial da doença, desde que a presença de placas de proteína amiloide no cérebro seja confirmada por exames.
O lecanemabe pertence a uma nova geração de anticorpos que podem reduzir modestamente a progressão do Alzheimer, oferecendo uma nova opção terapêutica para pacientes nessa fase inicial.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



