Violência contra a mulher também adoece o corpo
Estresse provocado por relações abusivas pode afetar coração, metabolismo, imunidade e saúde sexual, segundo dados e especialistas.
Quando se fala em violência contra a mulher, depressão, ansiedade e traumas emocionais costumam ser os primeiros impactos lembrados. No entanto, relações abusivas também podem deixar marcas no corpo: a exposição contínua à violência física, psicológica ou sexual está associada a um maior risco de problemas cardiovasculares, diabetes, obesidade, dores crônicas e alterações no sistema imunológico.
O alerta ganha força durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo enfrentamento da violência contra a mulher. Dados divulgados em 2026 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a violência praticada por parceiro íntimo é a quarta principal causa de perda de saúde entre mulheres no mundo, considerando os anos vividos com incapacidade.
Como o estresse prolongado afeta o organismo
Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Nature Human Behaviour, que analisou mais de 75 mil estudos sobre violência baseada em gênero, reforça que as consequências vão além da saúde mental. A violência sexual foi associada a um aumento de pelo menos 50% no risco de transtorno depressivo maior e a um risco mais que dobrado para infecções sexualmente transmissíveis e aborto espontâneo ou induzido.
Segundo o psicólogo e docente da Afya Unigranrio Duque de Caxias, Ryan Camillo, o organismo reage à violência como se estivesse diante de uma ameaça permanente. “O cérebro ativa continuamente o mecanismo de sobrevivência, mantendo o organismo em estado de alerta. Essa resposta é importante em situações pontuais de perigo, mas, quando se prolonga por semanas, meses ou anos, deixa de ser protetora e passa a provocar desgaste físico e emocional”, explica.
Esse estado de alerta mantém hormônios como cortisol e adrenalina elevados por longos períodos, o que pode provocar uma reação inflamatória persistente, além de prejudicar o sono, a memória e a concentração.
Sinais físicos podem aparecer antes do diagnóstico
O endocrinologista e docente da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, Rodrigo Mendes, afirma que o excesso persistente de cortisol favorece o aumento da pressão arterial, da glicemia, da gordura abdominal e da resistência à insulina. Esse desequilíbrio também pode reduzir a eficiência do sistema imunológico e contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.
Entre os sinais que podem estar relacionados ao estresse prolongado estão:
- insônia e fadiga persistente;
- dores musculares e alterações intestinais;
- palpitações e mudanças no apetite;
- infecções recorrentes e crises de ansiedade.
“Nem sempre a mulher procura atendimento dizendo que sofre violência. Muitas chegam por causa de dores, alterações no sono, crises de ansiedade, problemas digestivos ou hipertensão”, afirma Ryan Camillo. Para o especialista, reconhecer essa possível relação ajuda os serviços de saúde a olhar além dos sintomas físicos e identificar situações de violência.
Quanto mais cedo a violência for reconhecida e interrompida, maiores são as chances de reduzir consequências que podem comprometer a qualidade de vida por muitos anos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



