SP-Arte Rotas 2026 destaca ancestralidade e autonomia coletiva
Feira em São Paulo reúne projetos que conectam memória afro-brasileira, territórios periféricos e formação artística
A 5ª edição da SP-Arte Rotas será realizada entre 26 e 30 de agosto de 2026, na ARCA, em São Paulo, reunindo projetos de galerias, associações e espaços independentes que dialogam com a memória afro-brasileira, espiritualidades, territórios quilombolas e periféricos, além de formação artística e criação de estruturas de autonomia coletiva.
Mais do que expor obras, a feira destaca como a produção artística se entrelaça com arquivos comunitários, ateliês-escola e ações em bairros periféricos, criando modelos concretos de formação, trabalho e circulação. Em alguns casos, a comercialização das obras contribui para a manutenção de espaços coletivos e para a expansão de residências artísticas.
Ancestralidade e território em foco
O Instituto Sertão Negro, ateliê-escola fundado por Dalton Paula em Goiânia, que completará cinco anos em 2026, apresenta a Associação Jatobá Nascente, formada por Abraão Veloso, Genor Sales, Lucélia Maciel, Tor Teixeira, Xica e William Maia. O projeto utiliza uma caixa-arquivo de madeira como dispositivo expositivo para reunir obras, múltiplos e um minidocumentário. A receita das vendas será destinada à expansão do ateliê coletivo e das residências individuais, conectando criação artística, autonomia financeira e compromisso socioambiental.
Na Mitre Galeria, o projeto “Toda rota começa na encruzilhada” reúne 14 artistas, entre eles Sandro Ayê, Gê Viana, Zumví Arquivo Afro Fotográfico, Manauara Clandestina, Luana Vitra, Rafael RG e Davi de Jesus do Nascimento. O estande apresenta um portal com 21 Exus, arquivos fotográficos, pinturas e instalações que propõem reflexões sobre memória, diáspora, movimento e futuro.
A Galatea coloca em diálogo os artistas Zé di Cabeça, ligado ao Subúrbio Ferroviário de Salvador e ao Acervo da Laje, e Romildo Rocha, que articula criação e formação na Vila Embratel, em São Luís, por meio do projeto Cores da Vila. Madeira, resíduos, desenho, mural, cordel e xilogravura compõem obras que integram a relação com o território como dimensão inseparável da criação.
Programação regional e diversidade temática
A Paulo Darzé Galeria, de Salvador, apresenta o projeto “Pequenas escalas do infinito”, com 24 artistas baianos, entre eles Ayrson Heráclito, Nádia Taquary, Goya Lopes, J. Cunha, Ani Ganzala e Annia Rizia. Os trabalhos abordam temas como memória, espiritualidade, violência, desejo e território, mantendo a amplitude histórica e cosmológica mesmo em pequenos formatos.
A OCUPÀ, do Rio de Janeiro, exibe “Geografias do Afeto”, com Thaís Iroko, Tayná Uràz, Beta Azevedo, Guilhermina Augusti, Isa Campenelli e Iahra, aproximando corpo, raça, gênero, ancestralidade e cidade por meio de fotografia, pintura, objetos, etnobotânica e materiais urbanos.
Na Passado Composto Século XX, em São Paulo, Rodrigo Bueno apresenta “Vozes da Jurema”, conjunto de têxteis, pinturas bordadas, cerâmicas, objetos e mobiliário artístico produzidos também com materiais recuperados, criando um ambiente de memória e regeneração.
Outros projetos de galerias de Pernambuco, Recife, Fortaleza, Goiânia e Brasília ampliam o recorte regional da feira, abordando cultura popular, crítica às narrativas coloniais, meio ambiente, paisagem, tempo e diferentes formas de habitar o mundo.
Setor Mirante e Palco SP-Arte
O setor Mirante, no centro da feira, parte da ideia de paisagem expandida, relacionando memória, ecologia, espiritualidade, política, história e imaginação na América Latina. A curadoria é de Bernardo Mosqueira, diretor artístico da SP-Arte Rotas.
O Palco SP-Arte promove um programa de conversas entre 27 e 29 de agosto, reunindo artistas, curadores, colecionadores e outros agentes do setor. Entre os convidados estão Ayrson Heráclito, Carmela Gross, Júlia Rebouças e Jacopo Crivelli Visconti. A programação estará disponível no aplicativo SP-Arte.
Serviço: SP-Arte Rotas 2026, de 26 a 30 de agosto, na ARCA, Avenida Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo. A quarta-feira, 26, é exclusiva para convidados. Nos dias 27 e 28, o funcionamento será das 13h às 20h; no dia 29, das 12h às 20h; e no dia 30, das 12h às 19h.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



