Gaza: restrição a combustível ameaça serviços essenciais, alerta MSF
Bloqueio israelense compromete geradores hospitalares, abastecimento de água e transporte em Gaza
Hospitais, ambulâncias e sistemas de abastecimento de água em Gaza dependem de geradores para funcionar. Em 12 de agosto de 2026, Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que a restrição israelense à entrada de óleo para motores e peças de reposição tem comprometido serviços essenciais, aumentando os riscos para milhares de pessoas na região.
Esses suprimentos são fundamentais não apenas para unidades de saúde, mas também para bombas de água, caminhões-pipa, veículos de transporte de profissionais de saúde e estruturas ligadas à produção de alimentos.
Falha em gerador afeta atendimento hospitalar
Em 5 de agosto, um dos geradores do hospital de campanha do MSF em Deir Al Balah quebrou. A equipe precisou usar um gerador reserva menor e racionar drasticamente o uso de eletricidade. A sala cirúrgica funcionou apenas para pacientes em estado crítico, enfermeiros não puderam esterilizar equipamentos essenciais, os serviços de raio-X foram interrompidos e pacientes com queimaduras enfrentaram o calor sem ar-condicionado.
Ola Bardawil, coordenadora adjunta do projeto, destacou que “quando os geradores falham, os hospitais ficam em risco”, afetando recém-nascidos em incubadoras, pessoas que dependem de concentradores de oxigênio e pacientes que necessitam de cirurgias para salvar suas vidas.
Mais de 40 mil pessoas sem água diariamente
O impacto da escassez vai além dos hospitais. Em Gaza, caminhões-pipa transportam água para áreas onde a população está abrigada. Uma pesquisa realizada em julho por organizações que monitoram água e saneamento indicou que 90% dos domicílios enfrentam insegurança hídrica moderada a alta.
Um gerador do centro de dessalinização de água do MSF foi danificado devido à falta de óleo para motores e peças de reposição. Em junho, o funcionamento da unidade foi reduzido de 12 para sete horas diárias, diminuindo a produção de água potável de 600 mil litros para 350 mil litros por dia, o que deixou mais de 40 mil pessoas sem acesso à água diariamente.
Restrições afetam itens básicos e transporte
Além dos geradores, a limitação atinge ambulâncias, ônibus usados por profissionais de saúde e caminhões que transportam ajuda humanitária. Padarias e moinhos de farinha, que dependem de geradores, também podem ter sua produção prejudicada.
O MSF relata ainda dificuldades para a entrada de itens rotineiros, como pomadas para doenças de pele e vedações de borracha usadas na limpeza de equipamentos médicos.
Filipe Ribeiro, coordenador-geral do MSF na Palestina, classificou a situação como uma política deliberada de desgaste dos recursos e suprimentos, afirmando que essas restrições não apenas atrasam a ajuda, mas desmantelam o sistema do qual as pessoas dependem para sobreviver. A organização pede a suspensão imediata do bloqueio para permitir a entrada contínua e sem impedimentos de todos os suprimentos médicos, humanitários e comerciais necessários para a população de Gaza.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



