Ninguém quer trabalhar? O que os dados realmente mostram
Pesquisa citada por Ricardo Viveiros aponta escassez de talentos no Brasil e revela mudanças nas expectativas sobre carreira e qualidade de vida.
“Ninguém quer trabalhar” é uma reclamação antiga — e, segundo o artigo assinado por Ricardo Viveiros, talvez nunca tenha descrito completamente a realidade. O que mudou foi a forma como as pessoas trabalham, o que esperam de uma carreira e as habilidades exigidas pelo mercado.
Em 2026, o debate ganhou um dado importante. A Pesquisa de Escassez de Talentos, do ManpowerGroup, mostra que 80% das empresas brasileiras têm dificuldade para preencher vagas, acima da média mundial de 72%. O índice, de acordo com o material, permanece estável nos últimos cinco anos.
Não é falta de vontade, mas de qualificação
Para o autor, o Brasil enfrenta menos um “apagão de vontade” e mais um descompasso entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas. A transformação digital criou demandas por conhecimentos técnicos em áreas como inteligência artificial, automação, robótica, análise de dados, logística e manutenção avançada.
Esse fenômeno é conhecido como skills gap: a distância entre as habilidades que os profissionais têm e aquelas que as vagas exigem. É por isso que a dificuldade de contratação pode coexistir com milhões de pessoas procurando emprego. Existem oportunidades, mas nem sempre elas correspondem à formação ou à experiência disponível.
O trabalho mudou — e as expectativas também
O texto também questiona a responsabilização da Geração Z pelo cenário. Jovens profissionais costumam valorizar mais a saúde mental, a flexibilidade e o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. A reflexão proposta é direta: por que as novas gerações deveriam aceitar sem questionamento modelos criados para uma realidade que já não existe?
O avanço do trabalho remoto e dos formatos híbridos ampliou o poder de escolha dos profissionais. Empresas que exigem o retorno integral ao escritório sem rever remuneração, benefícios e cultura organizacional podem enfrentar mais rotatividade, aponta o artigo.
Etarismo agrava a escassez de talentos
Outro ponto destacado é a exclusão de trabalhadores com mais de 50 anos. Mesmo com experiência e qualificação, muitos continuam fora do mercado por causa do etarismo — a discriminação baseada na idade. A contradição é evidente: empresas reclamam da falta de profissionais, mas descartam parte da mão de obra disponível.
Entre as respostas citadas estão programas de upskilling e reskilling, voltados à atualização e à requalificação de funcionários, além de maior flexibilidade, revisão salarial, contratação de perfis diversos e salário sob demanda.
No fim, a velha frase pode ser apenas uma maneira confortável de evitar uma discussão mais ampla. O mercado de trabalho está mudando — e acompanhar essa transformação exige rever educação, gestão, tecnologia e as próprias regras de contratação.
Por Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



