Câncer de próstata: exposição ambiental pode influenciar o risco da doença

Paraná deve registrar 3.370 novos casos em 2026; idade, genética, histórico familiar e exposições ocupacionais também devem ser considerados na prevenção e no diagnóstico

O câncer de próstata deve atingir milhares de paranaenses nos próximos anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 3.370 novos casos da doença no Paraná em 2026. No Brasil, a previsão é de 77.920 novos diagnósticos por ano entre 2026 e 2028, mantendo a doença como o câncer mais incidente entre os homens quando excluídos os tumores de pele não melanoma.

Embora idade, histórico familiar e genética estejam entre os fatores de risco mais conhecidos, o câncer de próstata é uma doença multifatorial. Estilo de vida e determinadas exposições ambientais e ocupacionais também fazem parte dessa equação e vêm ganhando espaço nas pesquisas sobre a doença.

Para o urologista Dr. Alberto Tomé, que atua no Noroeste do Paraná, olhar para esses diferentes fatores é especialmente importante em uma região marcada pela forte presença da atividade agropecuária. “O câncer de próstata é muito presente na nossa prática clínica no Noroeste do Paraná. E, em uma região fortemente agropecuária, não podemos ignorar as exposições ambientais e ocupacionais. O arsênio é um agente reconhecidamente carcinogênico e sua exposição crônica é um dos fatores que precisam ser considerados. Não é uma relação simples de causa e efeito, porque o câncer de próstata é multifatorial, mas é um alerta importante para a nossa região”, afirma Dr. Alberto Tomé.

O INCA inclui, entre os agentes com potencial de carcinogenicidade associados ao desenvolvimento do câncer de próstata no contexto ocupacional, a exposição ao arsênio e seus compostos, ao cádmio, a determinadas substâncias empregadas na indústria, às radiações ionizantes e a agrotóxicos organofosforados, como a malationa. O tema é particularmente relevante para trabalhadores que, ao longo de anos, podem estar expostos de forma repetida a agentes químicos no ambiente profissional.

“É preciso ter cuidado para não estabelecer uma relação simples de causa e efeito. Estamos falando de uma doença complexa, em que diferentes fatores podem se somar ao longo da vida. O que as evidências mostram é que as exposições ambientais e ocupacionais também precisam ser consideradas quando discutimos risco e prevenção”, destaca Dr. Alberto.

A idade permanece como um dos fatores mais importantes. A incidência e a mortalidade pelo câncer de próstata aumentam significativamente após os 60 anos. Homens com pai ou irmão que tiveram a doença, especialmente quando o diagnóstico ocorreu antes dos 60 anos, também merecem atenção. Por reunir fatores que não podem ser modificados, como idade e genética, e outros relacionados ao ambiente e ao estilo de vida, Dr. Alberto reforça que conhecer o risco individual e manter acompanhamento médico são estratégias importantes para identificar alterações que precisem ser investigadas.

Câncer de próstata pode evoluir sem sintomas

Um dos desafios da doença é justamente seu comportamento silencioso nas fases iniciais. A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de alterações na próstata.

“O homem não deve esperar sentir alguma coisa para procurar o urologista. Quando aparecem sintomas, a doença pode já estar em uma fase mais avançada. O acompanhamento permite avaliar o risco individual, o histórico familiar e alterações em exames e decidir quando é necessário aprofundar a investigação”, afirma o médico.

Quando há suspeita, exames como PSA, avaliação clínica e métodos de imagem podem fazer parte da investigação, de acordo com cada caso. Se houver indicação de biópsia, novas tecnologias vêm permitindo direcionar com maior precisão a coleta de tecido de áreas consideradas suspeitas.

Micro-ultrassom amplia recursos para o diagnóstico

Entre os avanços recentes está o micro-ultrassom de alta resolução, tecnologia que opera em frequência de 29 MHz e permite visualizar a próstata em tempo real, com maior detalhamento das estruturas do órgão e identificação de áreas suspeitas que podem ser direcionadas durante a biópsia.

Um estudo internacional randomizado publicado em 2025 no JAMA, com 678 homens submetidos à biópsia, demonstrou que a biópsia guiada por micro-ultrassom não foi inferior à biópsia guiada por fusão com ressonância magnética para a detecção de câncer de próstata clinicamente significativo.

Dr. Alberto Tomé foi um dos pioneiros na utilização do micro-ultrassom no interior do Paraná e realiza o exame como parte da investigação diagnóstica de pacientes com suspeita de câncer de próstata nas cidades de Umuarama, Cianorte, Maringá e Londrina. Em breve, vai expandir o exame para o Mato Grosso do Sul.

“O avanço das tecnologias de imagem permite investigar a próstata com cada vez mais precisão. O micro-ultrassom nos dá a possibilidade de visualizar áreas suspeitas em tempo real e direcionar a biópsia. Isso contribui para uma investigação mais precisa e para decisões individualizadas para cada paciente”, explica.

Para o urologista, mais importante do que qualquer tecnologia isoladamente é fazer com que o homem procure acompanhamento e tenha acesso ao diagnóstico no momento adequado.

“Hoje temos recursos diagnósticos e tratamentos que evoluíram muito. Mas o primeiro passo continua sendo o homem cuidar da própria saúde. Quanto mais cedo identificamos um câncer de próstata clinicamente significativo, especialmente quando a doença ainda está localizada, maiores são as possibilidades de tratamento com intenção curativa”, finaliza Dr. Alberto.

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Por Dr. Alberto Tomé

Urologista

Artigo de opinião

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