Superdotação: por que tantas meninas passam despercebidas
Altas habilidades vão além das notas e, sem identificação, afetam autoestima e desenvolvimento escolar
Nem toda criança com altas habilidades apresenta as melhores notas ou facilidade em todas as disciplinas. No Brasil, essa visão limitada contribui para que muitos casos de superdotação passem despercebidos, especialmente entre meninas, estudantes da rede pública e crianças com outras condições do neurodesenvolvimento.
Segundo dados do Censo Escolar 2024, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 43.950 estudantes foram identificados com altas habilidades ou superdotação na educação básica. Embora esse número ajude a dimensionar o cenário, muitos casos ainda podem não ser reconhecidos.
Superdotação vai além do desempenho escolar
As altas habilidades podem se manifestar por meio de intensa curiosidade, criatividade, pensamento abstrato, aprendizagem acelerada em áreas específicas e capacidade para resolver problemas complexos. Crianças superdotadas frequentemente demonstram interesse profundo por determinados temas, fazem questionamentos incomuns para a idade e conectam assuntos diferentes com rapidez.
Por outro lado, atividades pouco estimulantes podem gerar desinteresse, inquietação ou aparente falta de atenção. Sem compreender esse perfil, adultos podem interpretar a criança como desmotivada ou indisciplinada, quando na verdade ela necessita de desafios compatíveis com seu potencial.
“Ainda existe a ideia de que a superdotação é sinônimo de notas altas e facilidade em tudo. Na prática, encontramos crianças extremamente inteligentes que sofrem justamente porque suas características não são reconhecidas. Quando isso acontece, elas podem desenvolver frustração, ansiedade, baixa autoestima e desmotivação em relação à escola”, explica Fabricia Signorelli, psiquiatra do Ambulatório de TDAH no Adulto da Unifesp e mestre em transtornos do neurodesenvolvimento.
Por que meninas podem ser identificadas mais tarde?
Meninas costumam desenvolver estratégias para mascarar suas habilidades e se adaptar socialmente, o que pode tornar seu potencial menos evidente em casa e na escola.
Outro desafio é a chamada dupla excepcionalidade, quando a superdotação ocorre junto a condições como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou transtorno do espectro autista (TEA). Nesses casos, as dificuldades associadas ao transtorno podem chamar mais atenção do que as altas habilidades, atrasando ou impedindo o reconhecimento do potencial da criança ou adolescente.
Identificar não é criar privilégios
Reconhecer as altas habilidades permite que família e escola ofereçam estímulos adequados e favoreçam o desenvolvimento socioemocional. A falta de compreensão pode levar a frustração, ansiedade, baixa autoestima e sensação de não pertencimento.
“Identificar a superdotação não significa criar privilégios, mas garantir que cada criança tenha acesso aos estímulos de que realmente precisa”, destaca Fabricia Signorelli. O acompanhamento adequado depende de avaliação cuidadosa e colaboração entre família, escola e profissionais especializados.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



