Plano de saúde: desperdícios custam mais que remédios
Estudo da Interfarma estima que fraudes, desperdícios e uso excessivo consumiram até R$ 75 bilhões da saúde suplementar em 2024.
Quando se fala em custo dos planos de saúde, os medicamentos costumam aparecer no centro da discussão. Mas um estudo da Interfarma, produzido em parceria com a L.E.K. Consulting, aponta que o maior impacto pode estar em outro lugar: fraudes, desperdícios, desvios, redundâncias, uso excessivo de procedimentos e baixa resolutividade assistencial.
Segundo o levantamento Saúde Suplementar em Transição: Acesso à Inovação e Valor Assistencial, essas ineficiências consumiram cerca de R$ 52,5 bilhões em 2024. Considerando as faixas estimadas, o valor pode chegar a R$ 75 bilhões — entre 1,5 e duas vezes mais do que os gastos anuais das operadoras com medicamentos de alto impacto clínico, calculados entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões.
O que isso representa para quem tem plano de saúde?
Na análise por beneficiário, o estudo estima que, de um gasto médio anual entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, aproximadamente R$ 600 a R$ 700 foram destinados a medicamentos. Já as ineficiências representaram entre R$ 1.050 e R$ 1.500 por pessoa.
Para Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma, a discussão sobre sustentabilidade precisa considerar onde estão as maiores perdas estruturais, sem restringir o acesso a tratamentos que podem melhorar os resultados de saúde.
O levantamento também relaciona a inovação farmacêutica a avanços na qualidade de vida. De acordo com os dados apresentados, ela foi responsável por cerca de 60% do aumento da expectativa de vida nas últimas décadas.
Acesso a medicamentos inovadores ainda enfrenta barreiras
Apesar dos avanços, o estudo aponta uma desaceleração na incorporação de novos medicamentos ao Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A média teria caído de 18,5 incorporações anuais em 2019 e 2020 para sete medicamentos por ano entre 2021 e 2024.
O modelo atual também concentra a cobertura principalmente no ambiente hospitalar. Com isso, terapias de uso domiciliar, medicamentos orais e tratamentos avançados enfrentam barreiras maiores para chegar aos pacientes — especialmente em doenças raras e crônicas.
Outro ponto destacado é o tempo entre a avaliação das tecnologias e a efetiva inclusão no Rol. Segundo o levantamento, apenas 25% das incorporações avaliadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) resultaram, em média, em nova inclusão no Rol da ANS.
Quais caminhos são sugeridos?
Entre as recomendações da Interfarma estão fortalecer a coordenação do cuidado, incentivar modelos de remuneração baseados em valor, aprimorar a avaliação de novas tecnologias e ampliar a fiscalização assistencial.
Helaine Capucho, diretora de Acesso da entidade, defende que as decisões considerem não apenas o custo imediato, mas também os benefícios futuros para os pacientes e para o sistema. A discussão ganha peso diante do envelhecimento da população e da expectativa de aumento da demanda por cuidados de saúde nos próximos anos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



