Endometriose e corrida: quando adaptar o treino é necessário

Especialista explica como exercícios de alto impacto podem aumentar a dor e indica alternativas para manter a atividade física com segurança

Quem convive com endometriose não precisa abandonar a prática de exercícios físicos, mas pode ser necessário ajustar o treino para evitar o aumento do desconforto. Em pacientes com dor ativa ou comprometimento profundo da pelve, atividades de alto impacto, como corrida e jump, podem intensificar a dor causada pela doença.

Com o crescimento das corridas de rua, muitas mulheres têm enfrentado esse desafio. Movimentos repetitivos e impactos durante a corrida podem agravar a dor pélvica, que não deve ser encarada como algo normal durante o exercício.

Por que o impacto pode aumentar a dor?

O cirurgião ginecológico e pesquisador Dr. Igor Chiminacio explica que a endometriose pode afetar estruturas profundas da pelve, especialmente os paramétrios — tecidos de colágeno que sustentam o útero. Durante atividades como corrida ou exercícios com saltos, o útero se movimenta repetidamente, o que pode aumentar a tração sobre essas áreas inflamadas, intensificando a dor e o processo inflamatório.

“A prática regular de exercícios é importante e faz parte de uma rotina saudável. O problema não é se exercitar, mas insistir em modalidades que aumentam a dor em uma paciente que apresenta comprometimento das estruturas profundas pela endometriose”, destaca o especialista.

Esse mecanismo está relacionado à chamada Teoria do Polvo (Octopus Concept), desenvolvida por Dr. Chiminacio e apresentada em publicação científica no Congresso Global AAGL 2025, que unifica conceitos sobre endometriose e adenomiose e explica o efeito da tração nos tecidos pélvicos.

Quais exercícios são indicados como alternativas?

Durante períodos de maior sensibilidade, atividades de menor impacto costumam ser melhor toleradas. Entre as opções recomendadas estão:

  • caminhada;
  • fortalecimento muscular orientado;
  • pilates;
  • exercícios funcionais adaptados;
  • alongamentos.

A escolha deve considerar a intensidade dos sintomas, o estágio da doença e a avaliação médica. A corrida não está proibida, mas pode precisar ser reduzida, modificada ou substituída temporariamente até que o quadro esteja controlado.

Aquecimento e cuidados adicionais

Em dias frios, iniciar a atividade física com o corpo frio pode aumentar a rigidez muscular e o desconforto em mulheres sintomáticas. Por isso, é recomendado fazer um aquecimento antes do treino, com alongamentos ou exercícios leves, e manter o corpo aquecido.

“A dor persistente nunca deve ser normalizada. Ela pode ser um indicativo de que a atividade precisa ser adaptada ou de que a doença ainda não está adequadamente tratada”, orienta Dr. Chiminacio.

Se o treino provoca dor recorrente, o ideal é interromper a atividade que causa desconforto e buscar avaliação profissional. O objetivo é encontrar modalidades compatíveis com cada fase da endometriose, garantindo que o exercício seja um aliado da saúde e do bem-estar.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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