Cólicas menstruais fazem 4 em cada 10 estudantes faltar à aula
Pesquisa nacional aponta impacto das cólicas e da falta de absorventes na frequência escolar, no desempenho e na saúde mental.
Para muitas estudantes, a menstruação vai além do desconforto físico, causando faltas na escola, dificuldade de concentração e afastamento de atividades cotidianas. Uma pesquisa nacional divulgada em 2026 pelo Instituto Alana, em parceria com o Instituto Equidade.Info, revelou que quatro em cada dez estudantes que menstruam faltam às aulas pelo menos uma vez por mês devido aos sintomas menstruais, o que corresponde a cerca de 3,6 milhões de meninas no Brasil.
O estudo também apontou que seis em cada dez alunas enfrentam cólicas moderadas ou intensas, que comprometem o desempenho escolar e podem exigir o uso de medicamentos. Entre as professoras, 12% relataram ausências mensais motivadas pelos mesmos sintomas, evidenciando que a saúde menstrual é um desafio pouco reconhecido nas instituições de ensino.
Quando a cólica deixa de ser “normal”?
Segundo o médico e professor de Ginecologia e Obstetrícia da Afya Ipatinga, Dr. Renilton Aires Lima, os distúrbios menstruais mais comuns entre adolescentes incluem cólicas e sangramento excessivo. “Essas condições podem comprometer significativamente a qualidade de vida, afetando os aspectos físico, emocional e social”, explica.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) informa que até 73% das adolescentes brasileiras apresentam distúrbios menstruais, com a dismenorreia (cólica menstrual) e a irregularidade dos ciclos como as principais queixas. A cólica considerada habitual geralmente começa pouco antes ou no início da menstruação, é mais intensa nas primeiras 24 a 48 horas e melhora progressivamente, sem impedir as atividades diárias.
A dor deve ser investigada quando:
- impede a realização das atividades diárias;
- piora progressivamente ao longo dos ciclos;
- ocorre fora do período menstrual;
- vem acompanhada de náuseas, vômitos ou alterações intestinais e urinárias;
- não melhora com o uso adequado de anti-inflamatórios.
Falta de absorventes também afasta da escola
Além da dor, o acesso à higiene menstrual é um obstáculo para muitos. Um estudo do UNICEF em parceria com a Viração Educomunicação mostrou que 37% dos adolescentes e jovens que menstruam enfrentam dificuldades para acessar itens de higiene em escolas ou espaços públicos. Desses, 19% afirmaram não ter recursos financeiros para comprar absorventes, e seis em cada dez já deixaram de frequentar a escola ou o trabalho por causa da menstruação.
O constrangimento também é significativo: 77% relataram situações embaraçosas relacionadas ao tema em ambientes escolares ou públicos, enquanto quase metade nunca participou de atividades educativas sobre saúde menstrual na escola.
Impactos emocionais precisam ser observados
A psiquiatra da infância e adolescência da Afya Educação Médica de Montes Claros, Dra. Carla Caroline Vieira, destaca que as oscilações hormonais do ciclo menstrual podem intensificar sintomas emocionais na adolescência, como irritabilidade, ansiedade e instabilidade de humor. O medo de sujar a roupa ou de que outras pessoas percebam a menstruação pode levar ao retraimento, isolamento social e hipervigilância, afetando a saúde mental.
Para aliviar os sintomas, são recomendados hábitos como atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada, hidratação e técnicas de manejo do estresse. No entanto, essas medidas são complementares, e a avaliação médica é essencial quando a dor é intensa ou recorrente para identificar a causa e definir o tratamento adequado.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



