Tela demais ou vida de menos? O risco oculto para o cérebro
Especialistas defendem olhar além do número de horas e observar quais experiências — como sono, brincadeiras e conversas — as telas estão substituindo.
Quando o assunto é uso de telas, a pergunta mais comum costuma ser: “quantas horas por dia?”. Mas, para especialistas em desenvolvimento cognitivo, existe outra questão ainda mais importante: o que crianças, adolescentes e adultos estão deixando de fazer enquanto permanecem conectados?
Dormir menos, brincar pouco, conversar presencialmente, ler e praticar atividades físicas são algumas das experiências que podem perder espaço em uma rotina tomada por celulares, tablets, computadores e televisão. O impacto, portanto, não estaria apenas na tela em si, mas no que ela substitui.
Mais importante que contar horas é observar o contexto
Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera – Estimulação Cognitiva, afirma que a ciência avalia diferentes aspectos do uso da tecnologia, como conteúdo, duração, idade e presença de um adulto. Para ela, também é essencial observar o que deixou de acontecer.
“A pergunta certa não é ‘quantas horas?’, mas ‘o que meu filho deixou de fazer para ficar aqui e por quanto tempo?’”, diz Patrícia.
Em uma rotina de 24 horas, cada período dedicado às telas ocupa o espaço de alguma outra experiência. Sono, leitura, brincadeiras, atividade física e interações presenciais ajudam a desenvolver habilidades cognitivas e socioemocionais, segundo a especialista.
A tela não é necessariamente a vilã
A neurocientista Livia Ciacci, parceira científica do Supera, destaca que a tecnologia também pode oferecer benefícios educativos quando usada de maneira adequada. O contexto e a participação dos adultos fazem diferença na forma como esse conteúdo é aproveitado.
“Quando os pais assistem junto, comentam o conteúdo e ajudam a criança a interpretar o que está vendo, observam-se mais empatia e melhor regulação emocional. Mediar supera simplesmente restringir”, afirma Livia.
O material também cita uma revisão científica publicada em 2025 sobre os possíveis benefícios educativos das telas. A ideia é que dois jovens com tempo semelhante de exposição podem ter experiências diferentes, dependendo do conteúdo e da mediação recebida.
Empatia se aprende na convivência
Para Livia, habilidades como empatia, linguagem e regulação emocional precisam ser exercitadas nas relações do dia a dia. Observar expressões, perceber mudanças no tom de voz, esperar a vez e resolver conflitos são aprendizagens que acontecem na convivência.
“Empatia é como um músculo”, resume a neurocientista. Ela também chama atenção para o comportamento dos adultos: pais constantemente conectados podem interagir menos com os filhos, criando uma presença física, mas nem sempre disponível.
O que colocar no lugar da tela?
Em vez de pensar apenas em proibição, Patrícia Lessa sugere ampliar as experiências presenciais. Brincadeiras, leitura compartilhada, conversas, movimento e atividades que envolvam memória, atenção e resolução de problemas podem ocupar esse espaço.
“Em vez de perguntar como tirar a tela, talvez devêssemos perguntar o que vamos colocar no lugar dela”, orienta. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas evitar que ela substitua momentos importantes para o desenvolvimento e para a conexão entre as pessoas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



