Amamentação: como driblar o mito do “leite fraco”

Menos da metade dos bebês brasileiros recebe aleitamento exclusivo até os seis meses; apoio familiar e planejamento são essenciais

O mito do “leite fraco” ainda é um dos principais motivos que levam muitas mães a interromperem a amamentação antes do recomendado. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) indicam que apenas 45,8% dos bebês brasileiros menores de seis meses recebem exclusivamente leite materno, percentual abaixo da meta global de 50% estabelecida para 2025.

Durante o Agosto Dourado, campanha que incentiva o aleitamento materno, o tema volta a ser debatido. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuar amamentando, junto com a alimentação complementar, até os dois anos ou mais.

O que o mito do “leite fraco” ignora

De acordo com a pediatra Andrea Jácomo, professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), o leite materno não é fraco. Nos primeiros dias de vida, o bebê ainda está aprendendo a mamar e se adaptando ao novo ambiente, o que pode gerar comportamentos que as mães interpretam como sinais de fome.

“O leite materno não é fraco. O que acontece, muitas vezes, é que a mãe interpreta alguns comportamentos naturais do bebê como sinal de fome. Nos primeiros dias de vida, ele ainda está aprendendo a mamar e se adaptando ao ambiente”, explica a especialista.

Além disso, comentários de familiares, palpites e informações sem respaldo científico podem aumentar a insegurança das mães, favorecendo a introdução precoce de mamadeiras.

Para avaliar se o bebê está mamando adequadamente, é importante observar um conjunto de sinais clínicos, como:

  • ganho de peso;
  • frequência das mamadas;
  • quantidade de urina;
  • estado de hidratação.

“Acompanhar o peso, as mamadas e a diurese ajuda a tranquilizar a mãe e reduz significativamente o risco de interrupção precoce da amamentação”, afirma Andrea. Ela também destaca que fatores como dor, privação de sono, estresse, ansiedade e desidratação podem interferir temporariamente na produção e ejeção do leite.

Quando a fórmula pode ser necessária?

Embora o leite materno seja o alimento ideal para o bebê, a complementação com fórmula infantil pode ser indicada em algumas situações clínicas, como prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, cardiopatias, síndromes genéticas e outras condições que dificultem a sucção.

Problemas de saúde maternos e a falta de orientação adequada durante o pré-natal ou nas primeiras consultas pediátricas também podem comprometer o aleitamento. A decisão sobre o uso da fórmula deve ser individualizada e considerar mãe e bebê em conjunto.

“Não basta olhar apenas para o bebê. É preciso avaliar as condições da mãe, o ganho de peso da criança, a hidratação, a posição e o ritmo das mamadas. A fórmula pode ser necessária em alguns casos, mas essa decisão deve ser tomada após avaliação cuidadosa”, ressalta a pediatra.

Volta ao trabalho exige planejamento

O retorno ao trabalho após a licença-maternidade é outro desafio que pode levar à interrupção da amamentação. A recomendação é que, ainda durante a licença, a mãe comece a retirar e armazenar o leite para que ele possa ser oferecido ao bebê durante sua ausência.

Andrea Jácomo orienta que o leite seja servido em copinho ou colher, evitando a introdução precoce da mamadeira. Além disso, destaca a importância de empresas e instituições de ensino oferecerem salas adequadas para a extração e armazenamento do leite materno.

“Quando existe apoio da família e do ambiente de trabalho, as chances de manter a amamentação aumentam bastante”, conclui a especialista.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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