Quase 30% dos adolescentes brasileiros já experimentaram cigarros eletrônicos

Pesquisa da SBP revela crescimento do uso entre jovens; Receita Federal apreende milhares de dispositivos ilegalmente comercializados

O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros tem crescido de forma preocupante, segundo dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) divulgados em 2026 pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Quase 30% dos jovens entre 13 e 17 anos já experimentaram esses dispositivos, um aumento significativo em relação aos 16,8% registrados cinco anos antes.

Além da experimentação, o uso recente dos chamados “vapes” cresceu mais de 300%, indicando que o hábito deixou de ser ocasional para se tornar um desafio de saúde pública entre os adolescentes.

Riscos para a saúde dos jovens

A pneumologista e professora da Afya Ipatinga, Dra. Fernanda Lima, destaca que a nicotina presente na maioria dos cigarros eletrônicos é altamente viciante e pode prejudicar o desenvolvimento cerebral dos adolescentes, afetando memória, atenção, aprendizado e controle dos impulsos.

O aerossol inalado pode causar inflamação das vias aéreas, alterar as defesas naturais dos pulmões e aumentar a vulnerabilidade a infecções respiratórias. Casos de lesão pulmonar aguda associada ao uso desses dispositivos (EVALI), além de riscos cardiovasculares, intoxicações acidentais e queimaduras por explosão de baterias, também foram relatados.

Dra. Fernanda ressalta que adolescentes usuários apresentam maior frequência de tosse crônica, chiado no peito, falta de ar e redução da capacidade pulmonar em comparação com não usuários.

Sintomas de alerta e necessidade de atendimento

Os principais sinais que indicam problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos incluem tosse persistente, chiado, falta de ar, dor ou aperto no peito, diminuição da tolerância a exercícios e infecções respiratórias recorrentes.

Em casos de EVALI, os sintomas podem surgir rapidamente e envolver falta de ar intensa, tosse, febre, dor torácica, náuseas, vômitos e diarreia, exigindo atendimento médico imediato. A médica alerta que a ausência de sintomas não garante segurança, pois a inflamação pulmonar pode estar presente antes do aparecimento de queixas.

Mercado ilegal e apreensões

Embora proibidos no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos continuam circulando amplamente pelo mercado ilegal. Entre janeiro e fevereiro de 2026, a Receita Federal apreendeu 238.801 dispositivos, o que corresponde a cerca de quatro mil unidades por dia.

Dados do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) indicam que aproximadamente três milhões de cigarros eletrônicos foram apreendidos em 2025, evidenciando o avanço do comércio clandestino.

Dra. Tereza Cristina Sader Vilar, coordenadora de Direito da Afya Sete Lagoas, explica que o combate ao mercado ilegal enfrenta desafios como vendas digitais, importação irregular, alta demanda entre jovens e atuação de organizações criminosas, além da limitada capacidade de fiscalização.

Ela destaca que a legislação brasileira criminaliza a venda e fornecimento desses produtos a menores, com penas que incluem detenção e multa, além de sanções administrativas e tributárias para os infratores.

As sociedades médicas nacionais e internacionais recomendam evitar completamente o uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre crianças, adolescentes e gestantes. Em caso de suspeita de uso ou sintomas respiratórios, a orientação é buscar avaliação médica.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 59 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar