Moda, memória e sustentabilidade no Boqueirão Fashion
Coleção Perpétuo Movimento reuniu 25 looks inspirados em Curitiba, no trabalho por trás da moda e no reaproveitamento de materiais
Uma cidade pode virar roupa? Para os estudantes de Design de Moda do UniSenai PR, Curitiba ganhou forma em 25 looks apresentados na 10ª edição do Boqueirão Fashion Week. Batizada de “Perpétuo Movimento”, a coleção usou a arquitetura, a memória urbana e diferentes histórias da capital paranaense como ponto de partida.
Mais do que colocar peças na passarela, o desfile representou uma experiência profissional completa para os alunos. O processo envolveu pesquisa, construção de conceito, desenvolvimento das roupas e apresentação ao público — etapas que aproximam a formação acadêmica da rotina de quem trabalha com moda.
Uma coleção sobre uma cidade em transformação
A proposta foi desenvolvida de forma colaborativa. Segundo Jonas Eduardo Rocha, professor do curso de Design de Moda do UniSenai PR, a inspiração veio da relação entre os espaços urbanos e as pessoas que os transformam ao longo do tempo.
“A proposta valoriza os espaços urbanos que permanecem ao longo do tempo, enquanto testemunham o fluxo constante das pessoas, representando o passado, o presente e o futuro da cidade e também da moda”, explica o professor.
Os estudantes trabalharam com tecidos denim disponibilizados pela Canatiba Têxtil. O jeans reforçou a estética urbana da coleção e abriu espaço para interpretações diversas dentro de uma mesma identidade visual.
Quando cada look conta uma história
Embora o desfile tivesse uma unidade coletiva, cada criação carregou referências pessoais. Maria Eduarda Pimentel, do 4º período, levou para a passarela um look inspirado na ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá e na trajetória dos trabalhadores ligados a essa história.
“A proposta foi reinterpretar esse uniforme de forma contemporânea, criando uma peça jovem que representasse essas pessoas”, afirma a estudante. Para ela, a participação também marcou uma mudança importante: há dois anos, acompanhava o evento como espectadora; nesta edição, apresentou uma criação própria.
Já Antony Pacífico, do 3º período, olhou para os bastidores da indústria da moda. Sua peça foi feita com restos de linhas e combinou jeans, tule, volumes amplos e referências do streetwear.
“Ela é feita com restos de linhas, reforçando a ideia de reaproveitamento e sustentabilidade”, destaca. A criação também refletiu o estilo do estudante e o desejo de mostrar como materiais descartados podem ganhar novas possibilidades.
Upcycling e representatividade na passarela
Lissa Mello apresentou duas criações desenvolvidas a partir de uma proposta de upcycling, utilizando materiais que estavam parados no estoque da Canatiba. A construção fez parte de um trabalho coletivo realizado por 15 designers.
Nas peças, a estudante homenageou Gilda, travesti que se tornou símbolo de resistência da população LGBTQIAPN+ em Curitiba. “Levar essa referência para a passarela é uma forma de manter essa história viva e de mostrar como a moda também pode ser um espaço de memória, representatividade e expressão”, relata.
Assim, o desfile conectou formação profissional, sustentabilidade e identidade local. Em vez de tratar a roupa apenas como tendência, a coleção mostrou que criar moda também pode ser uma maneira de pesquisar, preservar memórias e abrir espaço para narrativas que nem sempre aparecem nos registros oficiais.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



