Amamentação: saúde mental da mãe também precisa de cuidado
Dor, culpa e tristeza persistente podem afetar o aleitamento; acolhimento e apoio ajudam a proteger a mãe no pós-parto.
Amamentar nem sempre começa como uma experiência tranquila. Dor, fissuras, noites mal dormidas, insegurança e a pressão para “dar conta de tudo” podem pesar sobre a saúde mental da mulher desde os primeiros dias após o nascimento do bebê. Por isso, durante o Agosto Dourado, o cuidado com a mãe também merece espaço nas conversas sobre aleitamento.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 13% das mulheres desenvolvem transtornos mentais no período pós-parto, principalmente depressão. Já a Fiocruz aponta que 25% das mães brasileiras enfrentam esse quadro. O material não informa o período ou a metodologia usados em cada levantamento.
Como a amamentação pode afetar o emocional
Para a psicóloga Suellen Martins, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, saúde física e bem-estar emocional estão relacionados durante o aleitamento. Ansiedade e depressão podem dificultar a amamentação, mas o caminho inverso também é possível: dor persistente e a sensação de não conseguir alimentar o próprio filho podem intensificar o sofrimento.
“Quando a mulher enfrenta ansiedade ou depressão, amamentar pode se tornar mais difícil. Mas o contrário também acontece. A dor constante, as dificuldades durante o aleitamento e a sensação de que ela não está conseguindo alimentar o próprio filho podem afetar profundamente sua saúde emocional. É um ciclo que precisa ser interrompido com acolhimento, informação e acompanhamento”, orienta a especialista.
Entre as dificuldades físicas comuns estão fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário, mastite e problemas na pega. Sem orientação adequada, esses desconfortos podem provocar medo, culpa e frustração, além de comprometer a confiança da mãe e favorecer o desmame precoce.
Quando a tristeza deixa de ser apenas uma fase?
Oscilações de humor podem acontecer nos primeiros dias depois do parto. No entanto, alguns sinais merecem atenção quando persistem:
- tristeza ou irritabilidade frequentes;
- sensação de incapacidade;
- isolamento;
- perda de interesse pelas atividades cotidianas;
- dificuldade para criar vínculo com o bebê.
A identificação precoce desses sinais pode facilitar a busca por cuidado. A mulher não precisa esperar que o sofrimento se torne insuportável para conversar com uma equipe de saúde.
Apoio não é cobrança
A ideia de que a mãe deve fazer tudo sozinha e tomar sempre a decisão “certa” pode silenciar dificuldades importantes. Em vez de cobranças, familiares e profissionais podem oferecer escuta, ajuda prática e espaço para que ela fale sobre o que está vivendo.
“Essa autocobrança, muitas vezes reforçada pelas expectativas sociais, faz com que muitas mulheres silenciem o sofrimento e adiem a busca por ajuda. Quando a mulher recebe apoio da família e da equipe de saúde e encontra espaço para falar sobre o que está vivendo, ela tende a se sentir acolhida e fortalecida para enfrentar os desafios da maternidade”, avalia Suellen Martins.
Orientação técnica, acolhimento e uma rede de apoio podem fazer diferença para a mãe, o bebê e toda a família. Amamentar deve ser acompanhado de cuidado — inclusive com quem está amamentando.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



