PrEP injetável no SUS: preço desafia expansão no Brasil
Cabotegravir de longa duração será incorporado ao SUS, mas preço, acesso a genéricos e distribuição preocupam entidades de saúde.
Durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação do cabotegravir de longa duração (CAB-LA) ao Sistema Único de Saúde (SUS) como uma nova opção de profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenção do HIV.
O anúncio foi recebido com otimismo pelo Médicos Sem Fronteiras (MSF), que destacou o avanço representado pela medida, mas também alertou para desafios importantes relacionados ao preço e ao modelo de aquisição do medicamento, que podem comprometer a expansão sustentável do acesso no Brasil e na América Latina.
PrEP injetável: uma alternativa discreta e eficaz
O cabotegravir de longa duração é administrado por injeção intramuscular a cada dois meses, o que pode facilitar a adesão de pessoas que têm dificuldade em tomar comprimidos diariamente ou que buscam uma forma mais discreta de prevenção. Segundo o MSF, essa modalidade reduz a exposição social e o estigma associados ao uso da PrEP oral.
Preço elevado limita acesso
O governo brasileiro estabeleceu um preço-teto de US$ 400 por pessoa ao ano para o CAB-LA. Embora essa medida seja considerada um passo importante, o MSF alerta que o valor ainda é muito alto para que os sistemas públicos de saúde possam garantir o acesso em larga escala.
Estima-se que o custo de produção e fornecimento do cabotegravir poderia ser próximo de US$ 30 por pessoa ao ano, o que indicaria que o preço atual está muito acima do necessário para uma ampla distribuição. A organização defende que o preço da PrEP injetável deve se aproximar do praticado para as alternativas orais, evitando que a tecnologia se torne inacessível para a maioria.
Antonio Flores, assessor-sênior para HIV da Unidade Médica para a África Austral do MSF, ressaltou: “Uma ferramenta de prevenção que permanece na prateleira por causa de seu preço não evita nenhuma nova infecção.”
Restrição ao acesso a genéricos na América Latina
Outro ponto crítico é o licenciamento do medicamento. A fabricante ViiV Healthcare excluiu a maioria dos países latino-americanos dos acordos voluntários para versões genéricas do CAB-LA, o que pode manter esses países dependentes do produto de marca até pelo menos 2031, salvo mudanças legais ou contestação de patentes.
Essa exclusão é especialmente injusta considerando que comunidades do Brasil e da América Latina participaram de ensaios clínicos essenciais para a aprovação da PrEP de longa duração, mas permanecem sem acesso a versões genéricas mais acessíveis.
Desafios para alcançar populações vulneráveis
Para que a PrEP injetável alcance seu potencial, a implementação precisa ir além das clínicas especializadas e chegar às unidades de atenção primária e iniciativas comunitárias. Populações-chave como pessoas transgênero, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, jovens e comunidades indígenas enfrentam barreiras significativas para acessar cuidados de saúde e devem ser foco prioritário na expansão da prevenção.
Renata Reis, diretora-executiva do MSF Brasil, afirmou: “O compromisso do Brasil de incorporar o cabotegravir de longa duração ao sistema público de saúde representa um sinal de esperança para o acesso em toda a América Latina. No entanto, o progresso continua frágil e precisa ser consolidado se quisermos realmente mudar o rumo da prevenção do HIV na região.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



