Saúde baseada em valor: o que muda para pacientes
White paper da Interfarma propõe avaliar o cuidado pelos resultados para os pacientes, e não apenas pelo volume de procedimentos ou pelos custos
Quando se fala em saúde, o custo de um procedimento é apenas parte da história. Uma nova publicação da Interfarma defende que o sistema brasileiro também precisa medir o que acontece com o paciente ao longo de toda a jornada: se houve melhora clínica, ganho de qualidade de vida, recuperação funcional e menos complicações.
O white paper “Do custo ao valor: uma agenda para o futuro do sistema de saúde brasileiro” foi lançado em 28 de julho de 2026 e apresentado durante o 11º Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde, realizado pelo Einstein Hospital Israelita em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI), em São Paulo.
O que significa cuidado baseado em valor?
Conhecida internacionalmente como Value-Based Healthcare (VBHC), a abordagem propõe que as decisões considerem os resultados alcançados para os pacientes em relação aos recursos utilizados. A lógica se distancia de um modelo concentrado apenas na quantidade de consultas, exames, internações ou procedimentos realizados.
O documento também chama atenção para o chamado “custo de não tratar” — ou de tratar tardiamente. Complicações, internações evitáveis e tratamentos inadequados podem gerar impactos tanto para quem precisa de cuidado quanto para a sustentabilidade do sistema no longo prazo.
“O valor é o benefício obtido pelo paciente. Quando falamos de valor, não estamos falando de uma tecnologia isolada, mas de toda a jornada de cuidado”, afirma Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma.
Cinco prioridades para o sistema brasileiro
O white paper apresenta cinco frentes consideradas prioritárias para o avanço desse modelo no país:
- Construção de uma agenda nacional coordenada;
- Fortalecimento da mensuração de desfechos;
- Integração do cuidado com apoio da transformação digital;
- Alinhamento de incentivos;
- Avaliação das inovações pelo valor gerado aos pacientes e ao sistema.
Na prática, a proposta é ampliar os critérios usados para avaliar e incorporar tecnologias em saúde. Além do custo imediato e do impacto no orçamento, entrariam na análise os resultados clínicos, a qualidade de vida e os efeitos produzidos durante toda a jornada de cuidado.
Exemplos de aplicação
Para aproximar a discussão da realidade, a publicação reúne experiências do Brasil e do exterior. Entre elas estão a Santeon, rede colaborativa de hospitais da Holanda; o Joinvasc, programa de atenção integrada ao acidente vascular cerebral no SUS, em Santa Catarina; e uma iniciativa da Unimed Porto Alegre voltada a pacientes com dor lombar.
Segundo os dados apresentados no documento, o Joinvasc reduziu a letalidade em 30 dias de aproximadamente 26% para 11% e ampliou a recuperação funcional de cerca de 34% para 63%. Já a iniciativa para dor lombar registrou melhora de 67% na intensidade da dor, ganho de 71% na funcionalidade, melhora de 54% na qualidade de vida e satisfação de 92% entre os pacientes acompanhados.
Os casos têm em comum a integração entre equipes, o uso de dados e o acompanhamento sistemático dos resultados. O white paper está disponível no site da Interfarma.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



