Misoginia contra jornalistas ameaça a liberdade de imprensa
Artigo de Ricardo Viveiros discute ataques sexistas a jornalistas e defende responsabilização, respeito às mulheres e proteção à democracia.
Quando mulheres jornalistas são atacadas com insultos sexistas, o alvo não é apenas a profissional. A violência verbal também tenta desqualificar o trabalho da imprensa, intimidar outras mulheres e enfraquecer o direito da sociedade à informação. Essa é a análise apresentada pelo jornalista, professor e escritor Ricardo Viveiros em artigo sobre misoginia e liberdade de imprensa.
O texto cita declarações atribuídas ao influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo Filho, neto do último general que governou o Brasil após o golpe militar, feitas contra jornalistas da GloboNews e contra Miriam Leitão, repercutidas nas redes sociais. Para Viveiros, expressões como “putas” e “prostitutas” não configuram crítica jornalística, mas um ataque baseado no gênero das profissionais.
Quando o insulto substitui o debate
Na avaliação do autor, a escolha de ofensas de natureza sexual não é casual. Em vez de discutir reportagens, opiniões ou informações publicadas, esse tipo de discurso reduz mulheres a estereótipos e tenta retirar sua credibilidade por meio da humilhação.
O artigo também menciona a frase “não merece ser estuprada” e recupera um episódio de 2014 envolvendo Jair Bolsonaro e a então deputada Maria do Rosário. Segundo o texto, o caso chegou aos tribunais, e o Superior Tribunal de Justiça considerou que uma declaração desse tipo banaliza a violência sexual ao sugerir que o estupro poderia ser uma questão de “merecimento”.
Viveiros sustenta que repetir essa construção não deve ser tratado como simples provocação ou figura de linguagem. Para ele, a frase carrega um peso histórico e simbólico que atinge as mulheres de forma coletiva.
O caso de Miriam Leitão e a memória da ditadura
O artigo destaca ainda a trajetória de Miriam Leitão, apresentada como uma jornalista cuja história profissional está ligada à democracia brasileira. O texto lembra que ela foi presa, torturada e submetida a graves violações de direitos humanos durante a ditadura militar, quando ainda era jovem e estava grávida.
Na leitura do autor, ataques que evocam violência contra mulheres também atingem a memória das vítimas da repressão política. Por isso, não deveriam ser reduzidos a mais uma discussão passageira nas redes sociais.
Liberdade de expressão exige responsabilidade
Para Ricardo Viveiros, campanhas de ódio contra jornalistas mulheres se tornaram recorrentes e podem incluir insultos, ameaças e difamações. O resultado é um ambiente mais hostil para o exercício da profissão e para a circulação de informações confiáveis.
O autor defende que eventuais ilícitos sejam investigados pelo Ministério Público e julgados pelo Judiciário, sempre com respeito ao devido processo legal. Ele afirma que “responsabilização não é censura” e que “liberdade de expressão exige responsabilidade de expressão”.
A conclusão é direta: divergências políticas podem — e devem — ser enfrentadas com argumentos, dados e evidências. A misoginia, porém, não é opinião. Combater esse tipo de violência é proteger as mulheres, o jornalismo e a própria democracia.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



