Bordado em Ibitinga: arte, trabalho e turismo
No Dia Mundial do Bordado, histórias de Ibitinga mostram como a tradição artesanal sustenta identidades, profissões e o turismo paulista.
Para muita gente, bordar é um jeito de criar peças bonitas. Em Ibitinga, no interior de São Paulo, a atividade representa também memória, trabalho e identidade. Conhecida como a Capital Nacional do Bordado, a cidade se tornou referência no turismo de compras e preserva histórias de moradores que aprenderam a arte ainda na adolescência.
A data celebrada nesta quinta-feira, 30 de julho, é o Dia Mundial do Bordado. Criada oficialmente em 2011, por iniciativa da Academia de Bordado de Täcklebo, na Suécia, a comemoração reúne pessoas interessadas na prática e valoriza o bordado como expressão de criatividade.
Ibitinga une artesanato e turismo
Localizada a 343 quilômetros da capital paulista, Ibitinga recebe visitantes atraídos por lojas de fábrica, pelo Centro Comercial, pela produção artesanal e pelas feiras ligadas ao setor. A Feirinha do Artesanato acontece aos sábados e reúne aproximadamente 600 barracas. Já a Feira do Bordado ocorre em julho, com 150 expositores, em sua maioria empresas do segmento.
Esse movimento faz do turismo uma parte importante da economia local e ajuda a manter viva uma tradição passada entre gerações. A cidade reúne peças produzidas em escala comercial e trabalhos feitos manualmente, preservando diferentes formas de aprender e praticar o bordado.
Da aprendizagem em família ao reconhecimento profissional
Um dos personagens dessa história é Valdecir da Silva, morador de Ibitinga, turismólogo, guia de turismo e bordador. Aos 57 anos, ele relembra que começou a se aproximar da atividade entre os 12 e 13 anos, influenciado pela mãe, que trabalhava como desfiadeira.
Antes de chegar ao bordado feito em máquina, Valdecir aprendeu a desfiar e a crivar tecidos. Depois, frequentou uma escola de bordado da cidade e passou a prestar serviços para salões especializados. “Chega a ser algo incrível. É emocionante falar que, muitas vezes, com problemas sérios para resolver ou preocupações, nós nos sentamos para fazer aquele trabalho manual e aquilo, de certa forma, nos relaxa”, conta.
Além do aspecto terapêutico que identifica na prática, ele destaca uma transformação coletiva. Entre 1985 e 1988, participou do movimento que levou à criação da Associação das Bordadeiras de Ibitinga. Mais tarde, a categoria conquistou reconhecimento profissional, com funções como riscador, cortador, bordadeira, desfiadeira e crivadeira sendo catalogadas.
Uma tradição que continua atraindo visitantes
Valdecir trabalhou diretamente com o bordado até os 21 anos e depois se tornou funcionário público na área da saúde, como motorista de ambulância. Mesmo assim, continuou ligado à arte e ao turismo da cidade.
Para ele, a presença dos visitantes ajuda a manter o trabalho dos artesãos e a própria identidade de Ibitinga. No Dia Mundial do Bordado, a cidade aparece como exemplo de uma tradição que atravessou gerações, criou oportunidades e transformou uma habilidade manual em patrimônio econômico e cultural.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



