Super El Niño: riscos à saúde e à agricultura no Brasil
Fenômeno pode causar ondas de calor, chuvas intensas e afetar produção agrícola; veja cuidados essenciais
O Brasil se prepara para enfrentar os efeitos de um possível “Super El Niño” no segundo semestre deste ano, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial e alterações na circulação dos ventos. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o evento se manifeste com intensidade entre outubro e dezembro, trazendo anomalias térmicas e pluviométricas significativas ao país.
Essas mudanças climáticas podem gerar ondas de calor extremo e tempestades severas, impactando diretamente a saúde da população e a estabilidade da produção agrícola nacional. O médico Luiz Fernando Machado, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), destaca que o corpo humano, que mantém sua temperatura entre 36,6 °C e 37 °C, sofre estresse térmico intenso em ambientes muito quentes.
“O processo de aclimatação ao calor extremo provoca mudanças fisiológicas cruciais, como a elevação da sudorese, resultando na perda de sais minerais e induzindo rapidamente à desidratação, o que sobrecarrega o sistema circulatório”, explica o especialista. Essa sobrecarga pode aumentar o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais, especialmente em pessoas com doenças cardíacas. Além disso, a dilatação dos vasos periféricos pode causar queda de pressão, desmaios e quedas com fraturas.
Os grupos mais vulneráveis incluem idosos, crianças, gestantes e portadores de doenças crônicas. Sintomas como brotoejas e cãibras são sinais de alerta para condições mais graves, como a insolação, que pode levar a colapso neurológico e temperatura corporal acima de 40 °C.
Cuidados essenciais para enfrentar o calor e as chuvas
- Manter hidratação constante, ingerindo água mesmo sem sede, evitando álcool e cafeína.
- Usar roupas leves e claras e evitar exercícios ao ar livre entre 10h e 16h.
- Umidificar ambientes com bacias ou toalhas úmidas para aliviar o calor.
- Após tempestades, evitar contato com água e lama de enchentes para prevenir leptospirose e outras doenças.
- Eliminar focos de água parada semanalmente para controlar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Impactos na agricultura e na economia
O “Super El Niño” também pode afetar a produção agrícola. No Sul do país, o excesso de chuvas pode dificultar o uso de maquinário, atrasar o plantio de verão e favorecer doenças em culturas como o trigo. Em regiões do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, longos períodos de estiagem podem prejudicar plantações que dependem da chuva.
Essas condições podem resultar em quebras de safra e problemas logísticos, elevando os preços dos alimentos e pressionando a inflação. Além disso, a seca severa pode reduzir os níveis dos reservatórios das hidrelétricas no Norte e Nordeste, aumentando a necessidade de termelétricas e, consequentemente, o custo da energia elétrica.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



