Lentes para controlar a miopia podem falhar em parte das crianças
Lentes defocus reduzem a progressão da miopia, mas eficácia varia conforme características oculares e uso
As lentes defocus são uma ferramenta importante no controle da miopia, podendo reduzir sua progressão entre 40% e 70%. No entanto, o efeito dessas lentes não é uniforme para todas as crianças, devido a variações biológicas e anatômicas do olho.
Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro fundador da ABRACMO, a miopia alta, acima de 6 dioptrias, não é uma condição uniforme, mas uma doença complexa que pode afetar várias partes do olho e aumentar o risco de complicações como catarata, glaucoma e descolamento de retina.
Por que as lentes defocus podem falhar?
As lentes defocus atuam desfocando a imagem na periferia da retina, o que é interpretado pelo organismo como um sinal para interromper o crescimento do olho, medido pelo comprimento axial. Isso ajuda a manter a imagem focada sobre a retina e a conter o aumento do grau de miopia.
Entretanto, entre 20% e 30% das crianças apresentam uma retina com formato mais arredondado e maior espessura, fazendo com que a luz seja focada sobre ou à frente da periferia da retina. Nesses casos, o efeito das lentes defocus é eliminado, e elas não conseguem conter a progressão da miopia.
Além disso, outras características fisiológicas do olho podem reduzir o benefício das lentes em parte das crianças, o que reforça a necessidade de acompanhamento individualizado por um oftalmologista.
Alternativas para o controle da miopia
Quando as lentes defocus não são eficazes, o uso de colírio de atropina a 0,01%, aplicado à noite, pode ser uma opção para conter a progressão da miopia. Outra alternativa são as lentes ortoceratológicas, que aplanam temporariamente a córnea durante o sono, permitindo a correção visual durante o dia e ajudando a controlar o crescimento do olho.
Essas opções devem ser indicadas e acompanhadas por um especialista, considerando as características e evolução de cada criança.
Fatores de risco e cuidados complementares
A hereditariedade aumenta a probabilidade de desenvolvimento da miopia, mas a idade em que ela surge é um dos principais fatores para prever sua progressão e o risco de atingir graus elevados.
O uso irregular das lentes defocus, que devem ser usadas por cerca de 12 horas diárias para serem eficazes, também compromete o controle da miopia. Além disso, o uso excessivo de telas pode contribuir para o aumento da condição.
Uma recomendação para reduzir o esforço visual é a regra 20/20/20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a 20 pés (aproximadamente 6 metros) de distância. Essa prática ajuda a criar pausas na rotina visual, embora não substitua o acompanhamento médico.
“Os pais não podem mudar a genética dos filhos, mas podem mudar a história da miopia se ela for detectada e tratada logo no início”, destaca Queiroz Neto, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo para proteger a saúde ocular das crianças.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



