Canetas emagrecedoras: impactos no rosto e na saúde bucal
Perda rápida de peso pode alterar volume facial e aumentar riscos bucais; especialistas discutem cuidados antes e depois do emagrecimento
As chamadas canetas emagrecedoras têm ganhado popularidade no tratamento da obesidade, mas seus efeitos vão além da balança. Especialistas que participarão do 2º HOF Class Summit, em Curitiba, alertam que a perda rápida de peso pode causar alterações significativas na face, como redução do volume e da sustentação dos tecidos, além de impactos indiretos na saúde bucal.
O fenômeno conhecido como “Ozempic Face” descreve o envelhecimento aparente que alguns pacientes apresentam após emagrecimento acelerado, caracterizado por flacidez, perda de gordura facial e mudanças na qualidade da pele. Essas alterações não devem ser encaradas apenas como questões estéticas, pois envolvem modificações profundas na estrutura facial.
Alterações faciais decorrentes do emagrecimento
De acordo com a cirurgiã-dentista Lisiane Ditzel, especialista e mestre em Harmonização Orofacial, a perda de peso rápida modifica a arquitetura dos tecidos faciais. “Quando a pessoa emagrece, ela perde volume na face e isso reduz a sustentação natural dos tecidos. A pele perde suporte e tende a ficar mais flácida”, explica.
Além disso, há redução do tecido adiposo superficial, importante fonte de células regenerativas, e diminuição de colágeno, elastina e ácido hialurônico, componentes essenciais para a hidratação, elasticidade e renovação da pele. Segundo a especialista, o acompanhamento pode começar antes do emagrecimento para preservar a capacidade regenerativa da pele e minimizar perdas estruturais.
Lisiane destaca que a Harmonização Orofacial vai além do uso de preenchedores faciais, combinando diferentes estratégias terapêuticas, como estímulo de colágeno e recursos da medicina regenerativa, para recuperar a qualidade da pele e favorecer a regeneração dos tecidos.
Impactos na saúde bucal
Embora as medicações não causem danos diretos aos dentes, seus efeitos colaterais podem aumentar o risco de problemas bucais. O cirurgião-dentista Sérgio Vieira, presidente da Associação Brasileira de Odontologia – Seção Paraná (ABO-PR), aponta que náuseas, vômitos, refluxo gastroesofágico e sensação de boca seca podem favorecer erosão do esmalte, cáries e doenças periodontais.
Esses sintomas digestivos costumam surgir nas primeiras semanas do tratamento, enquanto os problemas bucais tendem a se desenvolver a médio e longo prazo, especialmente se as alterações persistirem. Mudanças alimentares e deficiências nutricionais decorrentes de dietas mal conduzidas também podem comprometer a saúde dos tecidos bucais.
Para minimizar os riscos, o especialista recomenda que pacientes com refluxo ou vômitos evitem escovar os dentes imediatamente após os episódios. O ideal é enxaguar a boca com água ou solução de bicarbonato e aguardar cerca de 30 minutos antes da escovação. Além disso, são essenciais boa hidratação, higiene adequada, uso de creme dental fluoretado e consultas regulares ao dentista.
Evento aborda cuidados pós-emagrecimento
O tema será destaque no pré-congresso “HOF em Pacientes Pós-Emagrecimento”, que ocorrerá em 13 de agosto, das 14h às 18h30, com a participação dos especialistas Cristiane Moliani e Marcelo Germani. O 2º HOF Class Summit acontecerá no dia seguinte, 14 de agosto, na sede da ABO-PR, em Curitiba. O evento reúne profissionais para discutir os desafios clínicos e as abordagens multidisciplinares necessárias para esse novo perfil de pacientes.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



