Canetas emagrecedoras: alerta cresce nas redes
Levantamento aponta mais menções negativas sobre agonistas de GLP-1, enquanto especialistas defendem informação, acompanhamento e menos julgamento
As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas um assunto de celebridades e influenciadores fitness. Nas redes sociais, a conversa sobre Ozempic, Mounjaro e medicamentos semelhantes passou a incluir efeitos colaterais, fiscalização, contrabando e os julgamentos dirigidos a quem busca tratamento para obesidade.
Um levantamento de escuta social realizado na plataforma Brandwatch pela pesquisadora de Marketing Digital da FGV Lilian Carvalho analisou postagens em português do Brasil publicadas entre 22 de junho e 20 de julho. O estudo encontrou mais de 29 mil menções aos agonistas de GLP-1.
Entre as publicações que expressaram alguma opinião, 5.875 foram classificadas como negativas, 5.005 como neutras e 1.136 como positivas. Os números indicam que o tom predominante é de alerta, desconfiança ou crítica — e não de entusiasmo com o emagrecimento.
Contrabando mudou o centro da conversa
Além de termos ligados à saúde, como “perda de peso”, “efeito colateral” e “princípio ativo”, apareceram com frequência palavras relacionadas à segurança pública. “Polícia Civil” foi mencionada 1.877 vezes, ao lado de referências a Cuiabá, Mato Grosso, Paraguai e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo Lilian Carvalho, essa presença mostra que as notícias sobre operações contra o contrabando e a falsificação passaram a influenciar diretamente a percepção pública sobre as canetas. Em Mato Grosso, uma operação da Polícia Civil cumpriu 35 ordens judiciais em oito cidades contra uma facção suspeita de distribuir produtos ilegais. Também houve apreensões e investigações envolvendo clínicas e farmácias.
O cenário reforça a importância de não usar medicamentos por conta própria nem comprar produtos de origem desconhecida. Em abril de 2025, a Anvisa aprovou regras mais rígidas para a venda dos agonistas de GLP-1, com retenção de receita em farmácias e drogarias, após o aumento de notificações de eventos adversos associados ao uso fora das indicações aprovadas.
O peso do julgamento nas redes
O debate, porém, não termina na segurança do produto. Para a nutricionista Brunna Boaventura, doutora e pós-doutora em obesidade, o tratamento também precisa considerar a saúde mental e o estigma corporal.
“Ninguém deveria ser reduzido ao método que utiliza para tratar uma condição de saúde. O mais importante é que exista indicação adequada, acompanhamento profissional e uma abordagem que respeite a história e a individualidade daquela pessoa”, afirma.
Um estudo publicado no International Journal of Obesity avaliou a reação de adultos diante de uma mulher que havia perdido 15% do peso corporal. Quando a perda era atribuída ao uso de um agonista de GLP-1, ela recebia avaliações mais negativas do que quando o resultado era associado a dieta e exercício. A justificativa mais citada foi a ideia de que o medicamento representaria um “atalho”.
Para quem está em tratamento, a mensagem é direta: informação confiável e acompanhamento profissional importam mais do que a opinião alheia. A mudança no corpo não apaga, automaticamente, anos de críticas e inseguranças — por isso, o cuidado deve incluir saúde física, alimentação, comportamento e autoestima.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



