Viagens inspiram criação de joias autorais na Galeria ArteMetal
Experiências culturais influenciam designers que transformam memórias em peças únicas
Para muitos artistas e designers, o fim de uma viagem não significa o fim da experiência. Na joalheria autoral, as vivências em diferentes países se traduzem em peças que carregam memórias, técnicas e tradições locais, transformando lembranças em criações com histórias e propósito.
Na Galeria ArteMetal, em São Paulo, essa relação entre viagem e criação é evidente nas trajetórias de designers como Sarah Argana e Silvana Pires. Suas experiências culturais não se limitam a reproduzir o que viram, mas reinterpretam essas influências a partir de suas próprias linguagens.
O repertório que nasce fora da rotina
Sarah Argana, designer, ourives, professora e sócia da Galeria ArteMetal, destaca que viajar amplia o repertório estético e técnico. Seu primeiro contato com a joalheria ocorreu na pré-adolescência, ao conhecer a artista Cristina Amaral, referência na joalheria artesanal brasileira. Posteriormente, frequentou uma oficina de consertos na Rua Augusta durante as férias escolares, iniciando uma carreira independente que incluiu aperfeiçoamento com mestres diversos e participação em exposições internacionais em Paris, Milão e Nova York. Ela também é criadora da marca Aurox.
Sarah afirma que “cada viagem amplia o repertório pessoal. O contato com outras culturas permite conhecer novas formas de produzir, diferentes técnicas, materiais e manifestações artísticas. Essas experiências influenciam naturalmente a criação das peças. Muitas vezes, uma textura observada ou uma peça artesanal vista durante uma viagem acaba sendo reinterpretada pelo designer em uma joia”.
Ela ressalta que a inspiração nem sempre surge imediatamente; algumas referências permanecem na memória e reaparecem durante o processo criativo, dando origem a peças que carregam influências culturais sem perder a identidade do criador.
Da Índia às japamalas e à ourivesaria
Silvana Pires encontrou na Índia uma inspiração que transformou sua produção artística. Inicialmente motivada a aprofundar conhecimentos em ioga, meditação e cultura local, ela despertou interesse pelos japamalas, cordões usados tradicionalmente em práticas meditativas. De volta ao Brasil, passou a confeccioná-los artesanalmente e, entre 2013 e 2016, produziu e comercializou as peças, destinando parte da renda para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade financeira. Esse trabalho marcou o início de sua trajetória empreendedora, unindo espiritualidade, criação e propósito.
Em 2016, após um sonho em que se via trabalhando com metais e ferramentas de joalheria, Silvana decidiu incorporar esses elementos às japamalas. Buscou formação na área e, dessa combinação, nasceu a Sádhana Joias. Em sânscrito, “Sádhana” significa prática ou ritual, conceito que orienta suas coleções, que unem joalheria contemporânea a referências culturais adquiridas na Índia.
Quando uma peça guarda uma história
Para Sarah Argana, viajar também ensina a perceber detalhes que a rotina costuma esconder. “Viajar nos faz perceber detalhes que muitas vezes passariam despercebidos na rotina. A joalheria autoral nasce justamente desse olhar pessoal sobre o mundo”.
Essa perspectiva ajuda a entender por que uma joia pode representar mais do que um acessório: ela pode reunir lembranças, encontros e referências culturais, preservando a história de quem cria e criando espaço para novas interpretações de quem usa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA


