12,7% dos medicamentos oncológicos essenciais não chegam ao SUS, revela estudo
Levantamento da Interfarma destaca lacunas entre incorporação e oferta de tratamentos contra o câncer no SUS
Um levantamento recente da Interfarma evidenciou que 12,7% dos medicamentos oncológicos considerados essenciais pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluídos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) ainda não estão disponíveis para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo, intitulado “Da Recomendação global à oferta no SUS: Análise comparativa e lacunas de acesso a medicamentos oncológicos essenciais”, foi apresentado durante o II Simpósio sobre Uso Seguro de Medicamentos na Atenção Primária e Secundária, realizado em Belo Horizonte nos dias 23 e 24 de julho de 2026.
Principais achados do estudo
A pesquisa analisou 112 princípios ativos utilizados em oncologia. Destes, 71 constam tanto na lista da OMS quanto na RENAME. Apesar de serem reconhecidos como essenciais por ambas as instituições, 12,7% desses medicamentos ainda não estavam disponíveis para os pacientes brasileiros.
Além disso, o levantamento identificou que 13 medicamentos recomendados pela OMS não fazem parte da RENAME, e que, entre os 28 medicamentos exclusivos da lista brasileira, metade ainda não havia sido disponibilizada à população.
Impacto do tempo no tratamento oncológico
O estudo ressalta que, na oncologia, o tempo é um fator decisivo para o sucesso do tratamento. O início oportuno da terapia influencia diretamente as chances de resposta clínica, a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.
Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma, destaca que ainda há uma distância significativa entre o reconhecimento da importância dessas terapias e o acesso efetivo dos pacientes. “Na oncologia, cada etapa da jornada faz diferença. Quando um medicamento é reconhecido como essencial, espera-se que ele esteja disponível em tempo oportuno para quem precisa iniciar o tratamento. O que o estudo mostra é que ainda existe uma distância importante entre o reconhecimento da importância dessas terapias e o acesso efetivo pelos pacientes.”
Do reconhecimento à oferta no SUS
Os resultados do levantamento dialogam com outro estudo da Interfarma, realizado em parceria com a IQVIA, intitulado “Tempos de Acesso – A jornada que separa a inovação do paciente brasileiro”. Esse estudo identificou que o maior atraso no acesso ocorre após a recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), especialmente durante a elaboração dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), os processos de aquisição e a disponibilização dos medicamentos na rede pública.
A pesquisa conclui que a presença de medicamentos em listas oficiais ou sua incorporação normativa é uma etapa necessária, mas não suficiente para garantir o acesso efetivo aos pacientes. A oferta real depende da continuidade entre incorporação, financiamento, aquisição, distribuição e disponibilização dos medicamentos no SUS.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



