Futebol feminino: 91% rejeitam machismo, mas só 24% acompanham

Pesquisa revela a distância entre o discurso de igualdade e a prática dos brasileiros em relação às mulheres no futebol

O discurso sobre a presença das mulheres no futebol no Brasil tem evoluído, mas a prática ainda não acompanha essa mudança, segundo pesquisa realizada pela Hibou Pesquisas e Insights com 1.120 brasileiros. Embora 91% discordem da ideia de que o lugar da mulher no esporte seja apenas na torcida, apenas 24% afirmam acompanhar o futebol feminino, seja regularmente ou ocasionalmente, e somente 2% o fazem com frequência.

O levantamento foi conduzido para a plataforma “Red é de Sangue”, uma iniciativa educacional contra a misoginia, com apoio da HeForShe e do Sindilegis. A pesquisa foi realizada entre 10 e 16 de junho de 2026, em painel digital, com margem de erro de 2,9%, abrangendo respondentes maiores de 18 anos de todas as regiões e classes sociais do país.

1. O preconceito explícito perde força

Para 86% dos entrevistados, o futebol não é “coisa de homem”. Além disso, 85% consideram inaceitável que um jogador questione uma árbitra com o argumento de que “futebol é jogo para homem”. No entanto, o recorte por gênero revela diferenças: entre os homens, 65% discordam da ideia de que o futebol seja exclusivamente masculino, e 77% consideram inaceitável esse tipo de ofensa a árbitras, índices inferiores aos gerais.

2. Mulheres ainda enfrentam cobranças para provar seu conhecimento

Noventa por cento dos brasileiros concordam que árbitras sofrem mais pressão e desrespeito do que árbitros homens, embora esse reconhecimento caia para 70% entre os homens. A sensação de cobrança também se manifesta nas arquibancadas e nos comentários esportivos: 79% afirmam que homens tendem a questionar mais o conhecimento futebolístico das mulheres, e 58% acreditam que elas precisam “provar” que entendem de futebol para serem levadas a sério como torcedoras.

Apesar de 56% afirmarem que mulheres entendem de futebol tanto quanto homens, 14% dizem confiar mais em comentários esportivos feitos por homens, percentual que sobe para 25% entre os homens. Além disso, 70% concordam que narradoras esportivas incomodam parte do público por machismo, embora apenas 15% admitam diretamente que “mulher entende menos de futebol”.

3. Violência contra a mulher aumenta em dias de jogos

Outro dado relevante da pesquisa aponta que 79% dos brasileiros já sabiam ou não se surpreenderam ao saber que estudos indicam aumento da violência contra a mulher em dias de partidas de futebol. Apenas 19% afirmaram ter ficado surpresos.

Entre as razões apontadas para esse aumento, o consumo excessivo de álcool lidera com 71%, seguido pela falta de educação e respeito (57%) e pela misoginia estrutural, que 53% dos participantes consideram um gatilho no futebol. Entre os homens, essa percepção sobre misoginia estrutural cai para 26%, representando um dos maiores hiatos de percepção entre gêneros na pesquisa.

Ligia Mello, CSO da Hibou Pesquisas e Insights, destaca que os números mostram um país que conhece “o discurso certo”, mas ainda hesita em transformá-lo em comportamento. A pesquisa sugere que o desafio para o próximo mundial feminino não é apenas ampliar a torcida, mas tornar a igualdade uma prática dentro e fora do campo.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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