Julho Amarelo destaca risco silencioso das hepatites na gestação

Campanha reforça importância da testagem, vacinação e acompanhamento pré-natal para proteger mãe e bebê

Durante a gravidez, muitas infecções podem não apresentar sintomas evidentes, tornando a testagem para hepatites virais uma etapa essencial do pré-natal. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024, foram registrados 30.965 casos de hepatite B em gestantes no Brasil, o que corresponde a 10,3% do total de notificações dessa doença no período.

O Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, reforça a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e do acompanhamento adequado para proteger a saúde materno-infantil.

Importância da testagem no pré-natal

As hepatites B e C podem evoluir silenciosamente por anos. Na gestação, sintomas como cansaço, náuseas e indisposição podem ser confundidos com alterações comuns da gravidez, dificultando a identificação clínica da infecção. Por isso, os exames laboratoriais são fundamentais.

“As hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa por muitos anos. Na gestação, esse silêncio é ainda mais preocupante, porque o diagnóstico tardio pode comprometer a oportunidade de prevenção da transmissão para o bebê”, destaca a infectologista Dra. Flávia Falci, do Hospital e Maternidade Santa Maria, do Grupo Santa Joana.

O Ministério da Saúde recomenda que todas as gestantes realizem testes para hepatites B e C no início do pré-natal. A detecção precoce permite definir condutas clínicas, orientar a paciente e organizar o cuidado do recém-nascido.

Prevenção e cuidados com a hepatite B

A hepatite B pode ser transmitida por via sexual, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou parto. Quando a infecção ocorre nos primeiros anos de vida, há maior risco de evolução para a forma crônica, que pode levar a complicações como cirrose e câncer de fígado.

A vacina contra hepatite B está disponível no calendário nacional de imunização. Gestantes sem comprovação vacinal ou com esquema incompleto devem ser avaliadas para atualização da imunização conforme orientação médica.

Quando a gestante é diagnosticada com hepatite B, o cuidado com o bebê começa ainda no parto. O recém-nascido deve receber a vacina contra hepatite B e, quando indicado, a imunoglobulina específica nas primeiras horas de vida, reduzindo significativamente o risco de transmissão vertical.

Hepatite C na gestação

A hepatite C também pode ser transmitida pelo contato com sangue contaminado e, em menor proporção, da mãe para o bebê. Diferentemente da hepatite B, ainda não existe vacina contra a hepatite C, o que torna o diagnóstico precoce e o acompanhamento durante e após a gestação ainda mais importantes.

Em 2024, a taxa de detecção de hepatite C no Brasil foi de 9,1 casos por 100 mil habitantes, com a região Sudeste concentrando 57,7% das notificações acumuladas entre 2000 e 2024.

Medidas de prevenção além do pré-natal

Além da testagem, a prevenção das hepatites inclui vacinação contra hepatite B, uso de preservativos, não compartilhamento de objetos perfurocortantes e cuidados em procedimentos com risco de contato com sangue. O acompanhamento integrado entre obstetras, infectologistas, pediatras e equipes de enfermagem é fundamental para garantir o diagnóstico, o entendimento do resultado e o acesso ao tratamento adequado.

“O Julho Amarelo é um chamado para ampliar a informação. Não se trata apenas de falar sobre uma doença do fígado, mas de lembrar que prevenção, diagnóstico e acompanhamento mudam histórias. Na gestação, isso significa proteger duas vidas ao mesmo tempo”, conclui Dra. Flávia Falci.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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