Hepatites crônicas elevam mortalidade hospitalar em até seis vezes no Brasil
Análise do Grupo IAG Saúde destaca impacto da idade, diagnóstico tardio e desigualdades regionais nas hepatites virais
As hepatites virais, frequentemente silenciosas por anos, apresentam um risco elevado quando o diagnóstico ocorre tardiamente, especialmente entre idosos, pacientes com formas crônicas da doença e em regiões com acesso limitado à saúde. Uma análise realizada pelo Grupo IAG Saúde, com base em dados do DataSUS e da Plataforma DRG Brasil, traça um panorama detalhado da situação no Brasil, destacando desafios que ganham relevância no contexto do Dia Mundial das Hepatites, celebrado em 28 de julho.
Impacto da idade na mortalidade hospitalar
Entre 2016 e 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 42.314 internações por hepatites virais, com uma mortalidade hospitalar média de 7,8%. Contudo, essa taxa sobe para 20,9% entre pacientes com 80 anos ou mais, indicando que quase um em cada cinco idosos internados não sobrevive. Dados da Plataforma DRG Brasil corroboram essa tendência, mostrando mortalidade que varia de 1,5% no geral a 12,3% entre os mais idosos. Esses números indicam que o envelhecimento associado à hepatite aumenta significativamente o risco de óbito durante a internação.
Diferenças entre hepatites crônicas e agudas
O tipo de hepatite influencia diretamente os desfechos clínicos. Na base DRG Brasil, a mortalidade entre pacientes com hepatites crônicas foi de 5,6%, aproximadamente seis vezes maior que a taxa de 0,9% observada em casos agudos. No SUS, as taxas foram de 10,1% para formas crônicas e 7,1% para agudas. Essas diferenças ressaltam a gravidade das hepatites crônicas, que podem evoluir para cirrose, câncer de fígado e morte se não forem diagnosticadas e acompanhadas precocemente.
Desigualdades regionais evidenciam desafios no acesso à saúde
As maiores incidências de internação por hepatites virais ocorreram nos estados do Acre, Rondônia, Pernambuco, Amazonas e Pará. Já as maiores taxas de mortalidade hospitalar foram registradas em Alagoas, Amazonas, Acre, Pernambuco e Goiás. Regionalmente, o Norte lidera em internações, com 39,7 por 100 mil habitantes, enquanto o Nordeste apresenta a maior mortalidade hospitalar (9,1%) e a maior duração média das internações (8,1 dias). O Sul, por sua vez, tem a menor mortalidade (6,5%) e permanência hospitalar (6 dias). Essas diferenças refletem não apenas a biologia da doença, mas também o acesso ao diagnóstico precoce, a estrutura da rede de saúde e o momento em que o paciente busca atendimento.
Prevenção, testagem e tratamento: caminhos para reduzir mortes e custos
O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B, além de diagnóstico e tratamento gratuitos para as hepatites B e C. O Ministério da Saúde estabeleceu a meta de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, alinhando-se a compromissos globais. A análise do Grupo IAG Saúde estima um custo assistencial médio de R$ 7.281,84 por internação, o que, aplicado ao volume nacional, representa cerca de R$ 300 milhões em custos assistenciais entre 2016 e 2025. Esses valores indicam o impacto econômico significativo das internações, que poderiam ser reduzidas com prevenção e diagnóstico oportunos.
O presidente do Grupo IAG Saúde, Dr. Renato Couto, destaca: “As hepatites virais só se tornam visíveis quando já é tarde. Quando o paciente chega ao hospital, a doença muitas vezes cobrou anos de silêncio. Nossos dados mostram que o desfecho depende menos do vírus e mais de quando e onde a pessoa é diagnosticada. E é isso que precisamos mudar.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



