Projeto leva dermatologia à população Kaingang no RS
Ação na Terra Indígena Guarita identificou lesões de pele e reforçou a importância do diagnóstico precoce entre pessoas com albinismo.
Nos dias 17 e 18 de julho, a Terra Indígena Guarita, localizada no norte do Rio Grande do Sul, foi palco de uma ação de saúde que ofereceu atendimento dermatológico especializado à população Kaingang. A iniciativa, parte da campanha do Dia Mundial da Saúde da Pele, teve como objetivo reforçar a prevenção, o diagnóstico precoce e o cuidado contínuo com a saúde da pele.
Promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Hospital Santo Antônio de Tenente Portela e o Polo Base Guarita, a ação reuniu médicos dermatologistas, pesquisadores, profissionais de universidades e hospitais de ensino, além de voluntários e instituições parceiras.
Albinismo e risco aumentado de câncer de pele
A Terra Indígena Guarita abriga uma das maiores populações Kaingang do país e apresenta uma característica genética rara: uma prevalência de albinismo superior à observada na população em geral. Essa condição reduz a proteção natural da pele contra a radiação ultravioleta, aumentando significativamente o risco de desenvolvimento precoce de câncer de pele.
Durante a ação, os dermatologistas identificaram um número expressivo de pacientes albinos, muitos deles já com lesões compatíveis com câncer de pele. Esses casos foram avaliados de forma especializada e, quando necessário, os pacientes foram encaminhados para tratamento cirúrgico.
Além dos tumores cutâneos, também foram diagnosticadas outras doenças dermatológicas, como dermatite atópica, escabiose e psoríase.
O professor da UFRGS e coordenador do projeto, Dr. Renan Bonamigo, destacou: “O que mais chama a atenção na Terra Indígena Guarita é a elevada prevalência de albinismo, condição que aumenta de forma importante o risco de câncer de pele. Encontramos pacientes muito jovens já com tumores cutâneos, o que reforça a necessidade de diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento contínuo. A participação da SBD fortalece um projeto de extensão da UFRGS que já desenvolve esse trabalho junto à comunidade, ampliando o acesso à assistência especializada e consolidando uma atuação permanente, integrada ao ensino, à pesquisa e à promoção da saúde da pele.”
Integração entre saúde, ensino e pesquisa
O Projeto Guarita contou com a participação do presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dr. Juliano Peruzzo, e da secretária científica da SBD-RS, Dra. Renata Heck.
Localizada entre os municípios de Redentora, Tenente Portela e Erval Seco, a Terra Indígena Guarita abriga aproximadamente 6,4 mil pessoas, segundo dados do Censo Demográfico 2022 compilados pelo Instituto Socioambiental. Além dos Kaingang, que são um dos povos originários mais numerosos do Brasil e pertencem ao tronco linguístico Macro-Jê, o território também abriga famílias Guarani.
A identidade cultural dos Kaingang se manifesta na língua, no artesanato, na agricultura, na organização social e na relação histórica com o território. A ação dermatológica representa uma iniciativa permanente da UFRGS junto à comunidade, integrando atendimento, formação acadêmica, pesquisa e promoção da saúde da pele.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



