Menopausa também muda o cérebro? Entenda os sinais

Esquecimentos, insônia e dificuldade de concentração podem surgir no climatério, mas nem sempre indicam demência ou envelhecimento cerebral.

Quando se fala em menopausa, as ondas de calor costumam ser o primeiro sintoma lembrado. Mas essa transição também pode afetar o cérebro, provocando esquecimentos ocasionais, dificuldade para encontrar palavras, falta de concentração, alterações do sono e oscilações de humor.

O alerta foi destacado pela Academia Nacional de Medicina (ANM) em referência ao Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho. A entidade chama atenção para a relação entre a queda dos níveis de estrogênio e funções cerebrais ligadas à memória, à atenção, ao humor e ao metabolismo cerebral.

Essas mudanças costumam aparecer com mais frequência no climatério, especialmente na perimenopausa, período que antecede a última menstruação. Por isso, algumas mulheres podem interpretar a chamada “névoa mental” como sinal de envelhecimento ou até de uma doença neurodegenerativa.

Quais sintomas podem aparecer?

Entre as queixas relatadas durante essa fase estão:

  • lapsos de memória e dificuldade para encontrar palavras;
  • redução da atenção e da velocidade de raciocínio;
  • problemas na qualidade do sono;
  • oscilações de humor e irritabilidade;
  • dificuldade de concentração e sensação de cansaço mental.

Segundo o acadêmico da ANM, Dr. Jorge Fonte Rezende Filho, a menopausa deve ser compreendida para além das mudanças reprodutivas. “A menopausa não se limita ao encerramento da função reprodutiva. Trata-se de uma transição neuroendócrina, com repercussões também sobre o cérebro.”

O especialista afirma ainda que estudos mostram capacidade de adaptação do cérebro e que, em muitas mulheres, as alterações tendem a se estabilizar após a transição. Mesmo assim, o climatério pode ser uma fase importante para cuidar de fatores relacionados à saúde cognitiva no futuro.

Quando é importante buscar avaliação?

A névoa mental costuma ser flutuante e pode piorar com insônia, ondas de calor, ansiedade, estresse ou depressão. Em geral, não compromete a autonomia da mulher. O principal ponto de atenção é observar a intensidade e o impacto dos sintomas na vida cotidiana.

Progressão do quadro, dificuldade para aprender informações novas, repetição frequente de perguntas, desorientação ou alterações de linguagem e comportamento merecem avaliação profissional. A diferença está entre um sintoma incômodo e uma alteração que interfere na independência.

Hábitos que protegem a saúde cerebral

A ANM destaca medidas de prevenção que dependem de constância: atividade física regular, controle do peso, da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, alimentação de padrão mediterrâneo, sono adequado, vida social ativa e estímulo intelectual contínuo.

A terapia hormonal pode ajudar em sintomas como ondas de calor e insônia e, indiretamente, em algumas queixas cognitivas. De acordo com o Dr. Jorge, porém, ela não deve ser prescrita exclusivamente para prevenir declínio cognitivo ou demência. A indicação precisa ser individualizada e seguir critérios clínicos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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