Cães domésticos ameaçam fauna em áreas protegidas do Paraná
Monitoramento encontrou cães em 11 das 17 unidades avaliadas; mutirão da UFPR fará mais de 300 castrações na Ilha de Superagui.
A presença de cães domésticos em áreas naturais do litoral do Paraná deixou de ser apenas uma questão de guarda responsável: também se tornou um desafio para a conservação da Mata Atlântica. Dados do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar (PGMSM) mostram que esses animais foram registrados em 11 das 17 Unidades de Conservação monitoradas ao longo de cinco anos, com 150 ocorrências dentro e no entorno dessas áreas.
O número de registros de cães domésticos superou o de espécies como paca, cachorro-do-mato, queixada, tatu, gato-do-mato-pequeno e gato-mourisco. A circulação livre pode aumentar o contato entre animais domésticos, moradores e espécies silvestres, que já enfrentam perda de habitat, caça, atropelamentos e outros impactos provocados pela ação humana.
Por que a circulação preocupa
Segundo Roberto Fusco, coordenador do PGMSM, os principais riscos envolvem predação direta, transmissão de doenças e mudanças no comportamento da fauna nativa. Cães podem perseguir, ferir ou matar animais silvestres, especialmente filhotes, aves terrestres e mamíferos de menor porte.
Mesmo sem um ataque, o cheiro, os latidos e a movimentação dos cães podem provocar estresse, alterar rotas de deslocamento e reduzir o uso de determinadas áreas pelos animais nativos. Fusco também afirma que a presença de cães pode estar associada à caça ilegal, já que eles podem ser usados para localizar, perseguir ou encurralar espécies silvestres.
Outro ponto de atenção é o abandono. Expostos à fome, doenças e acidentes, cães e gatos abandonados podem avançar sobre áreas naturais em busca de alimento e abrigo. Além de colocar os próprios animais em risco, o abandono é considerado maus-tratos e crime ambiental. Para cães e gatos, a Lei nº 14.064/2020 prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda.
UFPR promove mutirão de castração
Na região do Parque Nacional do Superagui, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolve um projeto de manejo e monitoramento sanitário de cães e gatos, principalmente nas comunidades da Barra do Superagui e da Barra do Ararapira.
Como parte da iniciativa, será realizado um mutirão gratuito entre 21 e 23 de julho, no Colégio Estadual do Campo Ilha de Superagui, em Guaraqueçaba (PR). A previsão é realizar mais de 300 castrações de cães e gatos, além de oferecer medicamentos para a recuperação, como antibiótico, anti-inflamatório e analgésico.
A ação é voltada a cães de 6 meses a 10 anos e gatos com peso mínimo de 1,2 quilo, desde que estejam em bom estado de saúde, vacinados e vermifugados. Os tutores também precisam ter cadastro ativo na plataforma Gov.br.
O projeto realiza ainda vacinação, atendimentos clínicos, censo dos animais e ações de educação ambiental. Uma das orientações é manter cães e gatos mais domiciliados, reduzindo a circulação em áreas sensíveis. A medida protege a fauna silvestre, diminui riscos sanitários e contribui para uma convivência mais segura entre comunidades, animais domésticos e unidades de conservação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



