4 livros brasileiros para ler com uma taça de vinho
Veja as harmonizações sugeridas para acompanhar quatro romances brasileiros, do drama familiar de Véspera à saga de um defeito de cor.
Uma boa leitura pode ganhar outro ritmo quando acompanhada por uma taça de vinho. Para quem pretende aproveitar as férias de julho e colocar os livros em dia, uma seleção reúne quatro romances brasileiros contemporâneos com sugestões de rótulos pensados para combinar com a atmosfera e as emoções de cada história.
A proposta, assinada pela sommelière Thamirys Schneider, contempla Véspera, de Carla Madeira; A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli; Torto Arado, de Itamar Vieira Junior; e um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.
Véspera e um tinto estruturado
O romance de Carla Madeira atravessa temas como maternidade, culpa, abandono, desejo e perdão. A trama começa quando uma mãe abandona o próprio filho e, ao retornar arrependida, descobre que ele desapareceu. A partir daí, passado e presente se misturam para revelar os silêncios e ressentimentos de uma família marcada por relações intensas.
Para acompanhar essa narrativa em camadas, a sugestão é o português Casa Burmester Reserva D.O.C. Douro Tinto 2022. Segundo Thamirys, a escolha se deve à “complexidade, presença e sedosidade” do vinho, além do final longo e da estrutura capaz de acompanhar a evolução da leitura.
O realismo mágico de A Cabeça do Santo
Em A Cabeça do Santo, Samuel encontra abrigo dentro da cabeça abandonada de uma estátua de Santo Antônio e passa a ouvir as preces de mulheres que rezam em busca de casamento. Ambientado no sertão do Ceará, o livro combina humor, afeto e realismo mágico em uma história sobre pertencimento, amor e pequenos milagres cotidianos.
A harmonização indicada é o italiano Tenuta Sant’Antonio Nanfrè D.O.C. Valpolicella 2023, descrito no material como leve, fresco, floral e com notas de frutas vermelhas e especiarias doces.
Torto Arado pede intensidade e ancestralidade
Vencedor dos prêmios Jabuti, Oceanos e LeYa, Torto Arado acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia no sertão da Bahia. A obra aborda ancestralidade, luta pela terra, injustiça social, espiritualidade e resistência, ao retratar gerações de trabalhadores rurais descendentes de pessoas escravizadas.
Para essa leitura de grande força emocional, a indicação é o italiano Schola Sarmenti Nerio Riserva D.O.C. Nardò Negroamaro Malvasia 2021. A sugestão considera a produção familiar, a relação com a terra e o caráter estruturado do vinho, elaborado com as uvas Negroamaro e Malvasia Nera.
Uma saga para degustar sem pressa
Com mais de 900 páginas, um defeito de cor acompanha a trajetória de Kehinde, uma mulher africana capturada ainda criança e trazida escravizada ao Brasil no século XIX. A narrativa atravessa perdas, liberdade, maternidade, ancestralidade e resistência, misturando pesquisa histórica e ficção.
Para a obra de Ana Maria Gonçalves, a sommelière sugere o chileno Extinto Carménère D.O. Valle del Cachapoal 2023. “Esse não é um livro para ler com pressa, é um livro para sentir em cada camada”, afirma Thamirys, relacionando a complexidade do romance à evolução do vinho ao longo da degustação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



