El Niño e saúde: impactos do clima extremo no Brasil
Fenômeno intensifica riscos de doenças e desafios para serviços de saúde em diferentes regiões
O fenômeno climático El Niño, caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico, tem impactos variados nas regiões brasileiras, afetando diretamente a saúde da população. Com a confirmação do El Niño, especialistas alertam para o aumento de eventos climáticos extremos, como enchentes no Sul e ondas de calor no Norte e Nordeste, que elevam os riscos de doenças e sobrecarregam os serviços de saúde.
Uma pesquisa realizada pelo Aurora Lab em parceria com a More in Common Brasil, entre maio e setembro de 2025, ouviu participantes em nove capitais brasileiras. O levantamento indicou que 85% dos entrevistados já percebem a influência das mudanças climáticas em suas atividades diárias, destacando impactos como aumento do custo de vida, problemas de saúde física, dificuldades no acesso ao trabalho e deterioração da saúde mental.
Enchentes e doenças infecciosas no Sul
No Sul do país, o El Niño está associado ao excesso de chuvas, que favorece enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra. A infectologista Viviane Hessel, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, explica que o contato com água contaminada pode aumentar a transmissão de doenças como leptospirose, hepatite A e infecções gastrointestinais.
“No caso da leptospirose, a bactéria pode penetrar pela pele durante o contato com a água contaminada. Quando as famílias precisam deixar suas casas e buscar abrigo temporário, aumentam também os desafios referentes ao acesso à água potável, alimentação, a medicamentos e ao atendimento de saúde”, destaca a médica.
Além disso, ambientes coletivos, como abrigos, facilitam a disseminação de doenças respiratórias, especialmente entre populações vulneráveis. A Organização Pan-Americana da Saúde recomenda o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da capacidade operacional dos serviços de saúde para garantir a continuidade da assistência durante eventos climáticos extremos.
Ondas de calor e mortalidade no Norte e Nordeste
Nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño tende a provocar redução das chuvas e aumento das temperaturas. Um estudo divulgado em junho de 2026 pela Fiocruz e pela Universidade Federal da Bahia associou mais de 120 mil mortes ao calor extremo no Brasil entre 2000 e 2019, sendo 80% desses óbitos em pessoas com 65 anos ou mais. As principais causas associadas são doenças cardiovasculares e respiratórias.
A análise também apontou riscos mais elevados entre mulheres e pessoas com menor escolaridade, evidenciando a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde.
Segundo Viviane Hessel, “os períodos prolongados de temperaturas elevadas favorecem tanto o agravamento de problemas respiratórios relacionados à piora da qualidade do ar quanto o aumento das internações por desidratação, principalmente entre idosos”.
Resistência a antibióticos e desafios para a saúde
O aumento das temperaturas também pode facilitar a disseminação de genes de resistência entre bactérias, tanto na comunidade quanto em ambientes hospitalares. Um estudo publicado em maio de 2026 na revista The Lancet Planetary Health identificou um aumento global de 10% nos genes de resistência a antibióticos, com base na análise de mais de 480 mil genomas de Salmonella coletados em 139 países entre 1940 e 2023.
Viviane ressalta que infecções causadas por microrganismos resistentes exigem tratamentos mais complexos e podem ter desfechos mais graves, representando um desafio crescente para os sistemas de saúde.
Para reduzir os riscos, a especialista reforça a importância de medidas preventivas, como a higiene das mãos, limpeza e desinfecção corretas de equipamentos e superfícies, além do cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção. Em períodos de calor extremo, é fundamental redobrar a atenção à hidratação e aos sinais de agravamento, especialmente entre idosos, recém-nascidos e pessoas com comorbidades.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



