Hepatites virais em idosos: o risco do silêncio
No Julho Amarelo, especialistas reforçam que hepatite B e C podem ficar anos sem sintomas e merecem testagem também após os 60
As hepatites virais nem sempre apresentam sintomas evidentes, o que representa um desafio especialmente para a população idosa. Durante o Julho Amarelo, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP) destaca a importância de atenção às hepatites B e C, que podem permanecer silenciosas por anos e serem detectadas apenas quando já causaram danos significativos ao fígado.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024, foram confirmados 826.292 casos de hepatites virais no Brasil, sendo 342.328 de hepatite C e 302.351 de hepatite B. Em 2024, o grupo com 60 anos ou mais concentrou 22% dos casos detectados de hepatite B, representando o maior percentual naquele ano.
Por que a atenção deve aumentar após os 60?
Na hepatite C, a população acima de 60 anos respondeu por 24,7% dos casos detectados entre 2000 e 2024, também apresentando a maior taxa de detecção em 2024, com 19,3 casos por 100 mil habitantes. Esses dados reforçam a necessidade de incluir a testagem para hepatites na rotina de cuidados da pessoa idosa.
A diretora da SBGG-SP, Dra. Luciana Louzada, destaca que sintomas como cansaço, perda de apetite e fraqueza podem ser confundidos com sinais naturais do envelhecimento ou outras condições, mas podem indicar infecções que exigem investigação. Ela ressalta que as hepatites B e C podem permanecer assintomáticas por décadas, sendo descobertas apenas quando já há complicações hepáticas.
O que observar e como prevenir
A hepatite B é transmitida por contato com sangue contaminado, relações sexuais sem proteção, compartilhamento de objetos cortantes, procedimentos sem biossegurança adequada e, historicamente, por transfusões de sangue realizadas antes da adoção de protocolos rigorosos. Sem tratamento, pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
A hepatite C é considerada uma infecção silenciosa, com cerca de 80% dos infectados sem sintomas, segundo o Ministério da Saúde. Quando presentes, os sinais incluem fadiga, náusea, febre, dor abdominal, urina escura, fezes claras e icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e olhos.
O boletim também chama atenção para a hepatite A, que, embora não crônica, pode apresentar evolução mais grave em pessoas acima de 50 anos e circular em ambientes coletivos, como instituições de longa permanência.
A prevenção envolve a vacinação contra hepatite B, disponível no SUS para pessoas não vacinadas em qualquer idade, além da testagem e tratamento. Para hepatite C, não há vacina, mas o tratamento gratuito com antivirais de ação direta no SUS apresenta taxas de cura superiores a 95%, geralmente em 12 ou 24 semanas.
A SBGG-SP reforça que nunca é tarde para testar, vacinar quando indicado e tratar, ressaltando que o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a qualidade de vida na terceira idade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



