Adoção compartilhada e o direito de pertencer: o livro que debate a identidade dos filhos adotivos

Em “Amores de uma Filha”, Uriella Coelho Ribeiro transforma a experiência com a adoção de três filhos em uma reflexão sobre vínculos, origem e o direito de crianças e adolescentes conhecerem sua história.

O selo editorial infantojuvenil da editora Polifonia publica “Amores de uma Filha” e marca a estreia da autora natural de Senhor do Bonfim (BA) Uriella Coelho Ribeiro, mãe solo por adoção de três filhos. A obra dialoga com o artigo 48 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao narrar a união de duas famílias que adotam um grupo de cinco irmãos biológicos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, dos 50,8% dos lares chefiados por mulheres no Brasil, 15% são comandados por mães solo que somam 11 milhões de mulheres, mais do que toda a população de Portugal.

Com prefácio do imortal da ABL (Academia Brasileira de Letras) Paulo Britto, “Amores de uma Filha” destaca o direito à identidade e à história pessoal como um princípio fundamental dos adotivos. O artigo 48 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura ao adotado o direito de conhecer sua origem biológica e ter acesso irrestrito ao seu processo após a maioridade.

De acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), mais de 32 mil crianças e adolescentes estão no sistema. No entanto, apenas 4 mil estão aptas a serem adotadas segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No Brasil, 35 mil famílias estão cadastradas no SNA, ou seja, para cada criança, existem oito pessoas qualificadas a adotar. Nos últimos anos, crianças de até seis anos foram adotadas no Brasil, mas o sistema é composto em 48% por adolescentes de 12 a 17 anos.

Diante do histórico de adoções irregulares no Brasil, “Amores de uma Filha”, publicado pelo selo editorial infantojuvenil da editora Polifonia, destaca um direito humano universal: compreender o passado para ter o direito de projetar, com dignidade, o próprio futuro.

Por meio de uma adoção compartilhada, a autora garantiu, com a outra mãe adotiva dos irmãos de seus filhos, a convivência diária das crianças, preservando vínculos fraternos e construindo um conceito expandido de família.

“Da perspicácia da minha filha do meio, a Tainara, surge a ideia do livro; senti a necessidade de impulsionar um debate central: o direito de ser e pertencer quando ela olhou nos meus olhos e perguntou ‘Você sabe que eu tenho outra mãe’?”, conta Uriella Coelho Ribeiro.

A autora de “Amores de uma Filha” explica que sua família quase foi separada quando conheceu seus filhos, pois eles não eram apenas três crianças, faziam parte de uma história maior, eram cinco irmãos. “Tentaram separá-los, como se fosse possível dividir uma história maior de cinco irmãos biológicos, separar uma infância sem deixar marcas; mas eu não consegui aceitar que, depois de tantas perdas, eles também perdessem uns aos outros”, emociona-se Uriella Coelho Ribeiro.

A família que inspirou o livro “Amores de uma Filha”, poderia ter tido outro final, mas graças à escolha pela adoção compartilhada e ao afeto de duas mães, os cinco irmãos vivenciam o pertencimento, os vínculos e o direito de continuar sendo família ao qual o artigo 48 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura.

“As perguntas da minha filha do meio não cabiam no peito dela, pois falavam não somente de adoção, falavam de pertencimento, de raízes que se cruzam, de laços que não se explicam, se sente”, finaliza Uriella Coelho Ribeiro.

Segundo Claudia Vecchi-Annunciato, editora-chefe da Tagarela, a obra que o selo editorial infantojuvenil da editora Polifonia lança na FLIP 2026, não é apenas uma história infantil, pois convida para a reflexão sobre os direitos dos adotivos como sujeitos com suas próprias histórias e identidades; uma obra sobre o profundo significado de ser e pertencer.

“O livro ‘Amores de uma Filha’ busca abrir espaços para diálogos importantes entre pais e filhos, educadores, crianças e adolescentes”, finaliza Claudia.

Serviço: Sobre a autora: Uriella Coelho Ribeiro, natural de Senhor do Bonfim (BA) vivenciou uma transformação radical ao se tornar mãe solo de três irmãos biológicos. Ao escolher a adoção de crianças maiores – perfil que representa a maioria daqueles que aguardam por uma família -, transformou afeto em ato político. Dessa vivência nasce sua escrita, matéria-prima para uma literatura que é colo e denúncia ao mesmo tempo.

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Por Uriella Coelho Ribeiro

Mãe solo por adoção de três filhos; autora do livro "Amores de uma Filha"

Artigo de opinião

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