A maioria dos pet shops olhou para a Copa do jeito errado

A Copa do Mundo de 2026 está acontecendo. A pergunta que todo empresário do mercado pet deveria se fazer é: meu pet shop vai aproveitar esse movimento para vender mais ou vai apenas assistir os concorrentes faturarem? Pela experiência que acumulei acompanhando centenas de negócios do setor, infelizmente a maioria vai perder essa oportunidade. Não por falta de clientes, nem por falta de demanda, mas porque vai enxergar a Copa apenas como um evento esportivo, quando na verdade ela é um dos maiores fenômenos de consumo do país.

O brasileiro transforma a Copa em uma experiência coletiva. Reúne amigos, faz confraternizações, compra produtos temáticos e adapta sua rotina durante os jogos. E, cada vez mais, os pets fazem parte desses momentos. O cachorro já não fica de fora das celebrações familiares. Ele participa das fotos, ganha acessórios especiais e acompanha os tutores em praticamente todas as ocasiões importantes. Ignorar esse comportamento é ignorar uma oportunidade real de negócio.

Os números ajudam a dimensionar esse potencial. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que 60% dos consumidores brasileiros pretendem comprar produtos ou contratar serviços durante a Copa do Mundo de 2026, o equivalente a mais de 99 milhões de pessoas. Entre os itens mais citados estão justamente os petiscos, mencionados por 62% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, o mercado pet brasileiro segue em expansão e encerrou 2024 com faturamento de R$ 77 bilhões, crescendo 9,6% em relação ao ano anterior. O consumo existe. O desafio é transformar esse movimento em vendas dentro da loja.

O erro mais comum dos pet shops é acreditar que participar da Copa significa apenas decorar a vitrine com bandeiras ou publicar algumas artes temáticas nas redes sociais. Isso gera visibilidade, mas raramente gera faturamento. O que aumenta vendas é estratégia. E existem ações simples, acessíveis e que podem ser implementadas por praticamente qualquer loja.

Uma das mais eficientes é a criação de kits temáticos. Combinar produtos como petiscos, brinquedos, bandanas, sachês ou tapetes higiênicos em uma única oferta aumenta o valor percebido pelo cliente e eleva o ticket médio. Quando o tutor compra um combo pronto, ele tende a comparar menos preços e enxergar mais conveniência. É uma estratégia simples de exposição e agrupamento de produtos que exige baixo investimento e costuma trazer retorno rápido.

Outra oportunidade frequentemente desperdiçada é transformar os dias de jogo em eventos dentro da própria loja. Muitos empresários reclamam do movimento reduzido durante partidas importantes, mas esquecem que podem criar motivos para os clientes estarem ali. Um café para os tutores, petiscos para os animais, sorteios rápidos ou um espaço para fotos temáticas já são suficientes para gerar circulação, engajamento e conteúdo para as redes sociais. O que falta na maioria das vezes não é orçamento, mas criatividade e execução.

A Copa também oferece uma oportunidade valiosa para vender algo que o comércio eletrônico ainda tem dificuldade de replicar: experiência. Banhos temáticos, fotos profissionais, bandanas verde e amarela, brindes e pequenos diferenciais transformam um serviço comum em uma experiência memorável. O tutor não compra apenas um banho e tosa. Ele compra a oportunidade de incluir seu pet em um momento emocionalmente importante. E consumidores costumam valorizar experiências muito mais do que produtos isolados.

Existe ainda uma ferramenta extremamente poderosa que custa praticamente nada: agir em tempo real. A emoção movimenta o consumo durante a Copa. Uma simples publicação nas redes sociais oferecendo uma promoção relâmpago após uma vitória da seleção pode gerar vendas imediatas. Campanhas rápidas, conectadas ao momento e à conversa do público, criam urgência e estimulam decisões de compra que dificilmente aconteceriam em situações normais.

O que separa os pet shops que aproveitam grandes datas daqueles que apenas observam os resultados dos concorrentes não é o tamanho da operação, nem o orçamento disponível. É a capacidade de planejamento. Quem espera a competição começar para pensar em estratégias normalmente já chegou atrasado. As vendas mais importantes acontecem antes do primeiro jogo, quando o consumidor ainda está se preparando para viver a experiência da Copa.

A verdade é que a Copa do Mundo não cria demanda. Ela potencializa comportamentos que já existem. O tutor já gosta de incluir o pet em sua rotina, já gosta de compartilhar momentos especiais e já busca experiências diferenciadas. O evento apenas amplifica esses hábitos. Os empresários que entenderem isso conseguirão aumentar faturamento, fortalecer relacionamento com os clientes e diferenciar suas marcas em um mercado cada vez mais competitivo.

A Copa vai acontecer para todos. Mas os resultados não serão iguais para todos. Enquanto alguns pet shops vão assistir aos jogos, outros vão aproveitar o campeonato para gerar vendas, aumentar ticket médio e fortalecer sua presença no mercado. E, como acontece em qualquer competição, quem se prepara antes normalmente entra em campo com muito mais chances de vencer.

R

Por Ricardo de Oliveira

cofundador e CEO da Fórmula Pet Shop, maior consultoria para negócios pet do Brasil e da América Latina, com mais de 70 lojas inauguradas, 8.600 empreendedores treinados e 300 empresários em acompanhamento individual; sócio-diretor da Bable Pet, rede com operações no Brasil, Portugal e Chile

Artigo de opinião

👁️ 57 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar