Turismo responsável no litoral ganha força no Brasil

Pesquisa aponta que 70% dos brasileiros adotam práticas responsáveis ao visitar praias e ambientes costeiros

Viajar para a praia pode ir além do descanso. Segundo pesquisa da Fundação Grupo Boticário em parceria com o Maré de Ciência (Unifesp), 7 em cada 10 brasileiros afirmam adotar práticas de turismo responsável ao visitar praias e outros ambientes costeiros. O dado representa um avanço em relação a 2022, quando o índice era de 68%.

O levantamento, intitulado “Oceano sem mistérios: A relação dos brasileiros com o mar (evolução de cenários: 2022-2025)”, chega em um momento em que as férias de julho costumam aumentar a procura por destinos litorâneos. A pesquisa também revela que essa relação com o oceano é emocional: cerca de 80% dos brasileiros associam o mar a sentimentos positivos, como calma, admiração e curiosidade.

Atividades preferidas no litoral

Entre as atividades mais praticadas no litoral estão o banho de mar (47%), caminhadas na praia (26%) e contemplação da paisagem (17%). Os esportes mais comuns são futebol (44%), corrida (23%) e voleibol (20%).

Apesar da disposição para mudar hábitos, há uma diferença entre intenção e prática. A pesquisa indica que 87,6% dos brasileiros estão dispostos a modificar comportamentos em benefício do oceano, mas apenas 7% participaram de alguma atividade de conservação marinha nos últimos 12 meses.

Turismo e conservação: iniciativas que fazem a diferença

Para Janaína Bumbeer, gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário, o contato direto com os ecossistemas costeiros pode transformar a percepção das pessoas sobre a natureza. Ela destaca que o turismo pode ser uma porta de entrada para uma relação mais duradoura com a conservação.

No Ceará, a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) atua na educação ambiental e no turismo de observação de fauna para aproximar visitantes da conservação da biodiversidade. A organização mantém quatro espaços gratuitos em Crato, Baturité, Icapuí e Caucaia, com atividades relacionadas a mamíferos aquáticos, aves e seus habitats.

Em Icapuí, o projeto Conhecer para Conservar forma e acompanha condutores locais para a observação de peixes-bois-marinhos e aves, garantindo segurança para os animais e valorização das comunidades locais.

Em Pernambuco, a Biofábrica de Corais promove a participação dos turistas no cultivo de corais, unindo educação ambiental e restauração dos recifes. Segundo estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), até 90% dos corais do mundo podem desaparecer até 2050 devido ao branqueamento provocado pelo aquecimento global.

A pesquisa também mostra que 77% dos brasileiros nunca visitaram um recife de coral, evidenciando o potencial dessas experiências para aproximar mais pessoas da vida marinha.

A Fundação Mamíferos Aquáticos atua na proteção de mamíferos aquáticos e seus habitats em várias regiões do país. Entre suas ações está o turismo de observação de peixes-bois-marinhos em ambientes naturais na Paraíba e Alagoas, com expansão para áreas na divisa entre Sergipe e Bahia. A organização também investe em educação ambiental para moradores, estudantes, gestores públicos e turistas, promovendo o envolvimento das comunidades locais na conservação.

Assim, o litoral brasileiro, além de ser um destino de lazer, se consolida cada vez mais como um convite para viajar com consciência e contribuir para a preservação dos ecossistemas marinhos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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