Ultraprocessados e intestino: o que a revisão da Unesp sugere

Estudo de revisão analisou 10 trabalhos e relacionou alto consumo de ultraprocessados ao desequilíbrio da microbiota intestinal e a doenças inflamatórias.

Se você já ouviu que o intestino é um dos grandes centros da saúde do corpo, este novo estudo reforça por que isso importa tanto. Pesquisadores da Unesp analisaram trabalhos científicos sobre o impacto dos alimentos ultraprocessados na microbiota intestinal e encontraram evidências de associação entre esse consumo elevado e o desequilíbrio das bactérias que vivem no intestino.

O que a revisão analisou

O estudo foi feito com base em uma revisão de artigos encontrados nas bases SciELO, PubMed e Cochrane. Ao todo, 10 trabalhos foram selecionados com critérios de relevância, qualidade metodológica e data de publicação. O resultado foi publicado na revista Nutrients.

Segundo os autores, a ingestão frequente de ultraprocessados — alimentos ricos em açúcares, gorduras e aditivos, e pobres em fibras — está ligada a uma menor diversidade de bactérias benéficas no intestino e ao aumento de micro-organismos potencialmente nocivos.

Por que isso preocupa

Esse desequilíbrio pode favorecer um processo inflamatório no trato gastrointestinal e, com o tempo, estar relacionado ao surgimento de doenças inflamatórias intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a Retocolite ulcerativa.

O tema chama atenção porque os ultraprocessados já ocupam um espaço grande na alimentação diária: chegam a até 58% da ingestão calórica em países de alta renda e se aproximam de 30% nas economias emergentes. Em paralelo, cresce a incidência de DIIs até em regiões como a América Latina, onde elas eram historicamente menos comuns.

Dieta não é o único fator

Os autores fazem uma ressalva importante: não dá para afirmar que toda pessoa que consome ultraprocessados vai desenvolver doença inflamatória intestinal. Trata-se de uma condição multifatorial.

Além da alimentação, entram na conta fatores como atividade física, qualidade do sono, estresse, uso de medicamentos, consumo de álcool e cigarro, envelhecimento e genética. Ainda assim, a dieta aparece como um dos elementos mais modificáveis ao longo da vida.

A médica gastroenterologista Ligia Yukie Sassaki, uma das autoras do artigo, explica que a microbiota pode ser modulada pelo que se come. Já a nutricionista Beatriz Gabriela da Costa destaca que os alimentos ultraprocessados podem criar um ambiente pró-inflamatório, enquanto uma alimentação mais rica em fibras favorece a produção de substâncias associadas ao equilíbrio do organismo.

Na prática, o recado do estudo é direto: quanto mais a comida de verdade ocupa o prato, maior a chance de proteger o intestino e reduzir o terreno para inflamações.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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