Gamificação pressiona Câmara contra criminalização da misoginia

Ferramenta do Levante Mulheres Vivas organiza votos de deputados e permite cobrança antes da votação do PL 896/2023

O movimento Levante Mulheres Vivas lançou uma ferramenta digital chamada Copa da Misoginia, inspirada na dinâmica da Copa do Mundo, para conectar cidadãos a deputados federais antes da votação do mérito do PL 896/2023, prevista para terça-feira (7). O projeto propõe a criminalização da misoginia no Brasil.

A plataforma organiza os parlamentares em um placar legislativo, dividindo-os em “time do sim”, “time do não” e deputados “no muro”. Usuários podem filtrar os deputados por estado, partido e voto anterior, além de enviar mensagens por e-mail ou redes sociais para os gabinetes, incentivando a pressão popular.

Urgência aprovada na Câmara

Na quarta-feira (1º), a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o PL 896/2023, com 293 votos favoráveis, 158 contrários e três abstenções. Com isso, o projeto pode ser votado diretamente no Plenário, sem passar pelas comissões.

Detalhes da plataforma

Desenvolvida pelo cientista político Frederico Celentano e pelo estrategista de automação Gabriel Pires, a plataforma destaca os 158 deputados que votaram contra a urgência em um “Álbum da Virada”, com figurinhas individuais. Algumas dessas figurinhas indicam “margem de virada” e “decisão individual”, orientando a mobilização para pressionar parlamentares que podem mudar seu voto.

Conteúdo do PL 896/2023

O projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal para incluir crimes motivados por misoginia, definidos como violência, restrição de direitos ou ofensa à dignidade da mulher em razão da condição de mulher. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, e amplia punições para crimes praticados na internet com objetivo de lucro, audiência ou engajamento.

O PL é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e tem relatoria na Câmara da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

Mobilização ampla

O Levante Mulheres Vivas destaca que a ferramenta digital integra uma mobilização suprapartidária que busca repetir na Câmara o consenso obtido no Senado, onde o projeto foi aprovado por unanimidade em março. O movimento também realiza conversas com parlamentares para defender a aprovação do texto.

Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas, afirma que a iniciativa aproxima cidadãos do processo legislativo e reforça a importância de unir esforços pela aprovação da proposta.

O movimento surgiu em dezembro de 2025, a partir de uma convocação da atriz Rachel Ripani nas redes sociais, e promoveu manifestações simultâneas em 21 estados e mais de 100 cidades brasileiras contra o feminicídio. Atualmente, aposta na combinação de tecnologia, pressão pública e articulação política para avançar na pauta de enfrentamento à violência contra mulheres.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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