Adoção no Brasil expõe vieses contra pets idosos

Pesquisa aponta preferência por filhotes, cães pequenos e animais sem “problemas”, enquanto pets idosos, pretos e com doenças seguem invisíveis.

Uma pesquisa inédita sobre adoção no Brasil escancara um problema que muita gente ainda prefere não ver: a preferência por pets que se encaixam em um “padrão” estético e prático. Segundo o levantamento Panorama da Adoção no Brasil – ONGs, idade, cor da pelagem, porte e condições de saúde influenciam diretamente as chances de cães e gatos saírem dos abrigos.

Filhotes e cães pequenos têm mais chance

O estudo, realizado por GoldeN, Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC) e Opinion Box, mostra um cenário concentrado em abrigos privados e ONGs, além de protetores independentes. A maioria dessas instituições cuida de até 100 cães e gatos ao mesmo tempo, mas consegue doar, em média, até cinco animais por mês.

Nesse contexto, a disputa por atenção fica desigual. Filhotes lideram as adoções com 81%, e cães de pequeno porte aparecem com 92% de facilidade para encontrar família. Já na fila da espera, quem mais aparece são os animais idosos, citados por 59% das instituições, e os adultos, com 34%.

Idade, cor e saúde ainda viram obstáculo

De acordo com a pesquisa, a idade é o principal limitador para a adoção, apontada por 86% das organizações ouvidas. A dificuldade também cresce quando o pet tem pelagem preta ou escura: 69% relatam barreiras para esses animais.

Pets com deficiências, limitações físicas ou doenças crônicas também enfrentam resistência, com dificuldade mencionada por 75% das ONGs. Entre os gatos, o estigma é especialmente forte em relação a doenças como FIV/FELV, citadas por 75%.

O desafio não termina na adoção

Outro alerta importante do levantamento está no pós-adoção. Segundo as ONGs, grande parte dos adotantes tem apenas um conhecimento básico sobre guarda responsável, com lacunas importantes. A adaptação do animal e os cuidados veterinários são pontos frequentemente subestimados.

O estudo indica que a devolução de pets acontece com mais frequência nos primeiros três meses, justamente quando a convivência ainda está em fase de adaptação. Para as organizações, apoio comportamental, orientação prática e até subsídios para consultas podem ajudar a reduzir esse ciclo.

Gatos ganham espaço nos lares

O levantamento também mostra que os gatos já lideram as adoções entre as ONGs, com 41%, à frente dos cães, com 32%. O dado acompanha a chamada “gatificação”, movimento ligado à vida em espaços menores e rotinas mais independentes.

Mais do que escolher um pet pela aparência ou pela praticidade, a pesquisa reforça a importância de preparar melhor quem deseja adotar. No fim, a adoção responsável não começa quando o animal chega em casa, mas antes disso: na decisão consciente de acolher um novo companheiro para a vida toda.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 59 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar