Violência contra crianças sobe e afeta mais meninas
Análise da SPDM aponta 685 mil notificações entre 2020 e 2025; violência sexual lidera os registros no país.
A violência contra crianças e adolescentes permanece um grave problema de saúde pública no Brasil. Uma análise da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), baseada em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, revelou 685.629 notificações envolvendo vítimas de 0 a 18 anos entre 2020 e 2025.
Os registros mais que dobraram no período, passando de 73.635 ocorrências em 2020 para 165.413 em 2025, um aumento superior a 120%. Segundo a SPDM, esses números refletem tanto a persistência da violência quanto avanços na capacidade dos serviços de saúde e da rede de proteção para identificar e notificar os casos.
Perfil das vítimas e tipos de violência
As meninas e adolescentes do sexo feminino representaram 62% das vítimas notificadas, enquanto os meninos corresponderam a 38%. Por faixa etária, a adolescência concentrou a maior parte das notificações, com 294.010 registros (43% do total). A primeira infância (até 6 anos) respondeu por 256.601 casos (37%), e a segunda infância (7 a 12 anos incompletos) por 135.018 casos (20%).
Quanto aos tipos de violência, a sexual foi a mais frequente, presente em 34% das notificações. Em seguida, vieram negligência e abandono, com 33,3%, e violência física, com 32,9%. Essas três formas concentram a maior parte dos registros realizados pelos serviços de saúde.
Ambiente familiar e regionalidades
A análise também destaca o ambiente familiar como cenário predominante das agressões: em 34% das notificações, a mãe foi identificada como autora da violência, e o pai esteve envolvido em 26% dos casos. Isso reforça a importância de estratégias de prevenção e proteção voltadas ao ambiente doméstico.
O crescimento das notificações ocorreu em todas as regiões brasileiras entre 2020 e 2025. O Nordeste apresentou a maior variação percentual, com aumento de 1.200%, seguido pelo Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%). Os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentraram juntos 52% de todas as notificações no período.
Desafios e perspectivas
Para a SPDM, os dados evidenciam a necessidade de qualificação contínua dos profissionais para identificação precoce dos sinais de violência, fortalecimento das redes de proteção e ampliação das ações de prevenção voltadas às famílias e comunidades. O enfrentamento da violência infantojuvenil requer atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça.
Cada notificação representa uma oportunidade para interromper ciclos de violência e garantir atendimento adequado às vítimas, protegendo o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças e adolescentes em todo o país.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



