Livro de pesquisadora da UFSCar nasce de diários da adolescência
Daiane Santos transforma registros escritos entre 2012 e 2025 em obra sobre escrevivência, memória e trajetória de mulher negra
A pesquisadora Daiane Santos, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), transformou em livro sua tese de doutorado, que foi construída a partir de diários manuscritos iniciados na adolescência. A obra, intitulada Nem a dor, nem o sofrimento, escrevo para que eu continue sendo refeita: escrevivência, educação e memória, será lançada em 13 de junho, em Cuiabá (MT). O livro destaca a trajetória de uma mulher negra marcada por processos de formação, resistência e construção de conhecimento.
Diários pessoais como base para reflexão sobre educação e memória
Os registros manuscritos que deram origem à pesquisa foram produzidos entre 2012 e 2025, começando quando Daiane tinha 15 anos. Ao revisitar esse material, a autora articulou passado e presente para refletir sobre temas como educação, identidade, memória e formação humana, utilizando sua própria experiência para pensar as vivências de corpos negros em espaços educacionais.
A tese narra a trajetória da pesquisadora como mulher negra nos espaços que a formaram e, ao mesmo tempo, a feriram. O trabalho teve origem em reflexões iniciadas durante o mestrado, quando Daiane estudava as infâncias retratadas na obra da escritora Conceição Evaristo e se aproximou do conceito de escrevivência.
Escrevivência: conceito central da pesquisa
Desenvolvido por Conceição Evaristo, o conceito de escrevivência é um dos pilares da pesquisa. Para Daiane Santos, escrevivência não é apenas uma escrita autobiográfica, mas uma produção que articula escrita, memória, ancestralidade e experiência coletiva.
Ela explica: “A escrevivência não é uma escrita de si, é uma escrita de nós. Possui esse contorno de pensar uma experiência coletiva. É uma escrita que olha para dentro de nós e para nossa ancestralidade”.
Durante a investigação, os diários foram analisados junto com registros produzidos durante o doutorado. O material foi transcrito, reorganizado e reinterpretado à luz da escrevivência e da interseccionalidade, considerando as categorias de raça, gênero e classe.
Corpo, políticas públicas e espaços formadores
Um aspecto importante do estudo é a compreensão de que a educação não ocorre apenas em ambientes formais como escola e universidade. Daiane também considera a família, a igreja e a rua como espaços que deixaram marcas em sua trajetória.
A pesquisadora ingressou no ensino superior dois anos após a aprovação da Lei de Cotas e reflete sobre como diferentes instituições influenciaram sua formação. A tese permite pensar a educação a partir do corpo e de experiências atravessadas por políticas públicas.
Entre as reflexões destacadas, a escrita é vista como uma tecnologia de resistência, e o corpo como fonte de conhecimento. Parte da pesquisa foi realizada durante um doutorado-sanduíche no Centro de Estudios Afrodiaspóricos (CEAF), da Universidad Icesi, em Cali, Colômbia, ampliando os diálogos com produções intelectuais de mulheres negras latino-americanas.
Lançamento do livro em Cuiabá
O lançamento da obra ocorrerá no dia 13 de junho, às 16h, na Loja Tcha por Discos, localizada na Avenida Edgar Vieira, 640, bairro Boa Esperança, em Cuiabá (MT). O evento é gratuito e aberto ao público.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



