NR-1 coloca saúde mental no centro da gestão corporativa
Nova regra amplia obrigação das empresas de monitorar riscos psicossociais e reforça papel do RH na prevenção
A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a ocupar espaço central na gestão corporativa. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas passam a ter mais responsabilidade formal sobre os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como assédio, sobrecarga, estresse excessivo e burnout.
O que muda na prática
A nova regulamentação exige que as organizações demonstrem ações concretas de prevenção, monitoramento e mitigação desses riscos. Isso inclui evidências documentais, avaliações periódicas, registros de treinamentos, canais de acolhimento e indicadores capazes de acompanhar as condições do ambiente organizacional.
Na prática, o RH ganha ainda mais protagonismo. A área deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a integrar a estratégia de compliance e de gestão de riscos, com papel direto na construção de ambientes de trabalho mais sustentáveis.
Os números ajudam a explicar a pressão
A mudança regulatória ocorre em um cenário de alta dos afastamentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais no Brasil. Segundo dados da Previdência Social, o país registrou 546.254 afastamentos do trabalho por esse motivo em 2025, um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior.
Os transtornos ansiosos lideraram os registros, com 166.489 casos, seguidos pelos episódios depressivos, que somaram 126.608 afastamentos. O burnout também apresentou crescimento expressivo: dados divulgados em 2026 mostram alta de 823% nos afastamentos associados à síndrome em quatro anos, passando de 823 casos em 2021 para 7.595 em 2025.
Impacto financeiro e vantagem competitiva
Além da questão regulatória, o adoecimento mental no trabalho também gera impacto financeiro significativo. Um levantamento divulgado em 2026 apontou que as licenças médicas por transtornos mentais superiores a 15 dias cresceram 79% entre 2023 e 2025, com impacto superior a R$ 954 milhões para os cofres públicos apenas no último ano.
Para o especialista José Silvestrin, os riscos psicossociais passam a ocupar uma posição estratégica dentro das organizações. Ele destaca que a atualização da NR-1 exige uma gestão baseada em evidências, com processos estruturados, indicadores e ações contínuas de prevenção. O RH deixa de atuar apenas de forma reativa e assume papel central na construção de ambientes corporativos mais sustentáveis.
A tendência é que as empresas invistam mais em tecnologia, auditorias internas, desenvolvimento de lideranças e ferramentas para monitorar o clima organizacional e a saúde emocional. Em um mercado onde qualidade de vida e segurança psicológica são cada vez mais valorizadas, estruturar políticas consistentes pode se tornar um diferencial competitivo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



