MSF pressiona por acesso global ao lenacapavir contra HIV
Organização defende preço acessível e distribuição ampla do medicamento preventivo
Médicos Sem Fronteiras (MSF) intensificou sua campanha para que o lenacapavir, um medicamento injetável de longa duração usado na prevenção do HIV, esteja disponível globalmente a um custo estimado de até US$ 40 por ano. A iniciativa foi lançada às vésperas da Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU sobre HIV/AIDS, que teve início em 22 de junho, em Nova York.
Importância do lenacapavir na prevenção do HIV
O lenacapavir é uma forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) administrada apenas duas vezes ao ano, com eficácia próxima de 100%. Essa característica o torna uma ferramenta crucial para prevenir a infecção pelo HIV, especialmente entre grupos de maior risco, como homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo.
Além disso, o medicamento é vital para pessoas em deslocamento, residentes em áreas remotas com acesso limitado a serviços de saúde e para populações afetadas por emergências humanitárias, onde a continuidade do cuidado é um desafio.
Críticas ao modelo de distribuição da Gilead
MSF denuncia que a farmacêutica norte-americana Gilead Sciences controla rigidamente a produção e distribuição do lenacapavir, vendendo-o a preços elevados e limitando sua oferta a um grupo restrito de países. A empresa também restringiu severamente o fornecimento para países de renda baixa e média e recusou-se a vender o medicamento diretamente à MSF para uso em seus programas médicos.
A Gilead firmou acordos com fabricantes selecionados de genéricos para disponibilizar o lenacapavir a preços mais baixos, mas essas versões não estarão disponíveis antes de 2027. Países como Argentina, Brasil, México e Peru, onde ocorreram ensaios clínicos do medicamento, estão excluídos dessas licenças. MSF destaca que cerca de um quarto das novas infecções por HIV ocorre em países fora desses acordos.
Nos Estados Unidos, o lenacapavir é comercializado por mais de US$ 28.000 por ano por paciente, um valor proibitivo para a maioria das populações em risco globalmente.
Apelo aos governos para uso de instrumentos legais
Além de pressionar a Gilead, MSF solicita que os governos utilizem as flexibilidades previstas no Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS) da Organização Mundial do Comércio. Entre essas ferramentas está a licença compulsória, que permite o uso de patentes sem autorização do titular em situações específicas, facilitando a produção e distribuição de genéricos.
Segundo MSF, ampliar o acesso ao lenacapavir é fundamental para evitar que a prevenção do HIV permaneça restrita a poucos países e sistemas de saúde. Em 2025, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas adquiriram o HIV no mundo, reforçando a urgência da questão.
Para a organização, a discussão transcende o medicamento em si, envolvendo quem pode se proteger e em quais condições, tema central no debate internacional sobre HIV/AIDS.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



