Machismo no futebol ainda incomoda e expõe o Brasil
Pesquisa com 1.120 brasileiros revela pressão extra sobre árbitras e resistência a narradoras esportivas
O futebol continua sendo um reflexo das contradições brasileiras. Uma pesquisa recente da Hibou Pesquisas e Insights, realizada para a plataforma Red é de Sangue, revela que o machismo ainda está presente nas arquibancadas, nas transmissões e na percepção do público sobre mulheres que atuam no esporte.
Pressão extra sobre árbitras
O estudo ouviu 1.120 brasileiros maiores de 18 anos, de todas as regiões e classes sociais, entre 10 e 16 de junho de 2026. Entre os dados, 90% reconhecem que árbitras mulheres enfrentam mais pressão e desrespeito do que árbitros homens. Além disso, 85% consideram inaceitável que um jogador conteste uma árbitra alegando que “futebol é coisa de homem”.
Porém, ao analisar por gênero, apenas 22% dos homens concordam totalmente que árbitras sofrem pressão extra, e 77% consideram inaceitável a ofensa verbal, indicando que o discurso evoluiu, mas o comportamento ainda apresenta resistência.
Resistência a narradoras e comentaristas
A pesquisa também mostra que 70% dos brasileiros admitem que narradoras esportivas incomodam parte do público devido ao machismo. Além disso, 14% confiam mais em análises feitas por homens, percentual que sobe para 25% entre os homens. Cerca de 30% dos homens não acreditam que mulheres entendem de futebol tanto quanto os homens.
Ademais, 79% reconhecem que o conhecimento das mulheres é questionado com mais frequência, e 58% concordam que a mulher ainda precisa “provar” que entende do jogo para ser levada a sério como torcedora.
Violência naturalizada em dias de jogo
Um dado preocupante é que, ao serem informados sobre estudos que apontam aumento da violência contra a mulher em dias de jogo, 81% dos entrevistados já sabiam ou não se surpreenderam, enquanto apenas 19% demonstraram surpresa. Isso evidencia a normalização da violência contra a mulher no contexto do futebol, potencializada por fatores como o consumo de álcool.
Da consciência à ação
A plataforma Red é de Sangue, iniciativa educacional anti-misoginia criada pelo braço ESG da agência Fresh PR, com apoio do movimento global HeForShe da ONU Mulheres e do Sindilegis, busca transformar essa consciência em ação. Ela oferece conteúdos educativos, tutoriais para denúncia de ódio online, abaixo-assinados por legislação contra a misoginia e grupos de apoio.
Segundo Ligia Mello, CSO da Hibou, os dados refletem “um preconceito que se reorganizou para sobreviver”. Ana Beatriz Schauff, CEO da Fresh PR e idealizadora da iniciativa, destaca que a pesquisa mostra a necessidade de olhar para o que acontece ao redor do futebol, além do jogo em si.
Mais do que uma discussão esportiva, o levantamento reforça que a mulher ainda precisa disputar espaço, credibilidade e respeito em áreas onde já deveria estar plenamente incluída.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



