Plantões veterinários têm 21,9% de irregularidades, revela fiscalização
Levantamento do CFMV inspecionou mais de 1,1 mil estabelecimentos e identificou ausência de veterinários e falhas estruturais
Uma operação nacional conduzida pelo Sistema Conselho Federal e Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (Sistema CFMV/CRMVs) revelou que 21,9% dos plantões veterinários fiscalizados apresentaram irregularidades. A ação, denominada De Olho no Plantão, inspecionou 1.127 clínicas e hospitais veterinários em todo o Brasil entre os dias 6 e 14 de junho, identificando problemas como a ausência de médico-veterinário durante atendimentos de urgência e emergência, além de falhas estruturais e administrativas.
Realizada no âmbito do Plano Nacional de Fiscalização (PNF) 2026, a operação permitiu traçar, pela primeira vez, um panorama nacional dos serviços veterinários de plantão. Ao todo, foram fiscalizados 1.198 profissionais e realizados 1.382 atos fiscalizatórios, com a participação de 25 Conselhos Regionais.
Principais irregularidades encontradas
Entre as inconformidades mais frequentes, destaca-se a ausência da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que identifica o médico-veterinário responsável pelo estabelecimento, presente em 29,5% dos casos. Outras falhas estruturais e administrativas registradas incluem:
- Ausência de unidade para conservação temporária de animais mortos (26%)
- Falta de ambiente de descanso para as equipes (24,4%)
- Inexistência de sanitário ou vestiário (18,7%)
- Ausência de ambiente de alimentação (5,8%)
- Falta de registro no Sistema CFMV/CRMVs (5%)
- Ausência de arquivo médico (2,3%)
No total, foram contabilizadas 258 inconformidades estruturais e administrativas. Entre as ocorrências mais graves, o levantamento identificou 82 casos de ausência de médico-veterinário durante o funcionamento dos plantões de urgência e emergência.
Importância da presença do médico-veterinário
Nos estabelecimentos que oferecem atendimento de plantão, especialmente aqueles com funcionamento 24 horas e internação, a presença do médico-veterinário é fundamental para avaliar os pacientes, definir condutas terapêuticas, realizar procedimentos privativos da profissão e tomar decisões imediatas em situações críticas. A ausência desse profissional pode comprometer a assistência, atrasar intervenções essenciais, dificultar o monitoramento de pacientes internados e favorecer o exercício ilegal da Medicina Veterinária.
A presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Ana Elisa Almeida, ressaltou que a fiscalização é essencial para garantir que os estabelecimentos cumpram o compromisso assumido com a sociedade ao anunciar atendimento de plantão. Já a chefe do Setor de Fiscalização do CFMV e coordenadora nacional da operação, Patrícia Stolano, destacou que a presença do médico-veterinário é condição indispensável para a segurança da assistência prestada aos animais.
Mais do que identificar irregularidades, a operação De Olho no Plantão servirá de base para orientar futuras ações de fiscalização, aprimorar estratégias de orientação aos estabelecimentos e contribuir para a melhoria contínua da assistência veterinária no país.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



