Adoção de pets no Brasil ainda privilegia o “ideal”

Pesquisa inédita mostra que idade, porte e até a cor da pelagem influenciam a escolha, deixando animais idosos e pretos em desvantagem.

No Brasil, a chance de um cão ou gato ganhar um novo lar ainda passa por filtros que vão além do afeto. Uma pesquisa inédita encomendada por GoldeN e pelo Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC), com realização da Opinion Box, mostra que a adoção continua fortemente influenciada por critérios estéticos e práticos — e isso deixa muitos animais em desvantagem nos abrigos.

Filhotes e pequenos saem na frente

O levantamento, chamado “Panorama da Adoção no Brasil – ONGs”, ouviu instituições e mapeou um cenário em que a maioria dos abrigos atua de forma enxuta, cuidando simultaneamente de até 100 cães e gatos. Mesmo assim, o ritmo de adoções é baixo: em 66% das instituições, saem até cinco animais por mês.

Na ponta da preferência, os números mostram um padrão claro: os pets adotados com mais facilidade são filhotes, citados por 81% das instituições, e cães de pequeno porte, apontados por 92%. Já na fila da espera aparecem principalmente animais idosos, que lideram a dificuldade de adoção para 59% das ONGs, além de adultos, com 34%.

Quando a aparência pesa na decisão

A pesquisa também mostra que a cor da pelagem e o estado de saúde influenciam bastante a escolha. Animais pretos ou de pelagem escura enfrentam barreiras relatadas por 69% das instituições. Já pets com deficiências, limitações físicas ou condições crônicas têm dificuldade de adoção para 75% das ONGs.

Entre os gatos, o estigma também aparece em doenças como FIV/FELV, citadas por 75% das entidades. Na prática, isso ajuda a explicar por que tantos animais acabam ficando invisíveis justamente nos espaços onde mais precisariam chamar atenção.

O desafio começa depois do “sim”

Outro ponto que chama atenção é o pós-adoção. Segundo o estudo, 71% das ONGs avaliam que os adotantes têm apenas conhecimento básico, com lacunas relevantes, sobre guarda responsável. As maiores subestimadas na preparação são a adaptação do animal, citada por 73%, e os cuidados veterinários, por 57%.

O cenário ajuda a entender por que as devoluções acontecem com frequência nos primeiros três meses, período apontado como crítico pela pesquisa. Em abril, um levantamento anterior da mesma frente de estudos já havia mostrado que os principais desafios após adotar foram os gastos com saúde, citados por 27%, e a adaptação de comportamento do pet, por 32%.

Para o IMVC, o problema não é falta de boa vontade, mas de expectativa desalinhada e pouca informação antes da adoção. A leitura da pesquisa reforça uma mensagem importante: adotar não é apenas escolher, mas também se preparar para a rotina real de convivência.

Gatos ganham espaço nos lares

O estudo também aponta que os gatos estão liderando as adoções, com 41%, à frente dos cães, com 32%. O dado acompanha a transformação de hábitos nas cidades e a busca por animais que se adaptem melhor a espaços menores e rotinas mais independentes.

Em um país com tantos animais esperando por uma chance, a pesquisa joga luz sobre um ponto sensível: muitas vezes, o que define o destino de um pet ainda é o que ele parece ser — e não a possibilidade real de convivência que ele pode oferecer.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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