Estranhar a desigualdade também é um ato político
Texto de Ricardo Viveiros defende que dignidade humana, direitos e democracia não podem ser tratados como “opinião ideológica”
Em um país marcado por desigualdades profundas, Ricardo Viveiros propõe uma reflexão incômoda: por que a defesa da dignidade humana ainda é tratada como algo “ideológico”, e não como um princípio básico de convivência? No artigo “Estranhar é preciso”, o jornalista, professor e escritor questiona a naturalização da fome, da violência, do abandono e da exclusão social no Brasil.
Dignidade não deveria ser debate opcional
Para o autor, existe uma diferença essencial entre disputar projetos de sociedade e precisar explicar que certas pessoas merecem direitos, proteção e condições mínimas para viver. Ele critica a ideia de que cobrar saúde, educação, trabalho, moradia e segurança para todos seja um exagero político.
No texto, Ricardo Viveiros aponta que a desigualdade virou cenário cotidiano para muita gente, a ponto de parte da sociedade já não enxergar a injustiça como emergência moral. Segundo ele, isso ajuda a sustentar um pensamento individualista, que tolera regiões abandonadas, crianças desnutridas, lideranças sociais assassinadas, trabalhadores explorados e sistemas públicos em colapso.
Quem mais sofre também precisa ser visto
O artigo chama atenção para os grupos historicamente marginalizados que continuam enfrentando barreiras no acesso à vida digna: mulheres, idosos, crianças, indígenas, pessoas pretas, LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, migrantes e refugiados, entre outros em situação de vulnerabilidade.
Ricardo Viveiros também critica discursos que usam slogans e medo como forma de mobilização política, além de narrativas que tentam transformar pautas sociais em ameaça à família, à liberdade ou à religião. Para ele, esse tipo de discurso desvia a atenção do que realmente importa: a reparação da dívida social brasileira.
Democracia, no texto, exige prática
Ao longo do artigo, o autor sustenta que defender abstratamente a democracia não basta. Na visão dele, liberdade precisa ser vivida na prática, com respeito, equivalência na diversidade e oportunidades reais para todos. “Não há democracia onde as pessoas não vivem, apenas sobrevivem”, escreve.
O encerramento é direto: há temas que podem ser debatidos dentro da democracia, mas também há limites éticos que não deveriam ser ultrapassados — como a indiferença diante do sofrimento e a aceitação da desigualdade extrema como normal. A mensagem final do texto resume o tom do artigo: o voto é ferramenta, não arma.
Ricardo Viveiros é jornalista, professor e escritor, doutor em Educação, Arte e História da Cultura (UPM), membro da Academia Paulista de Educação (APE) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



