Internações por dependência de cocaína crescem 20% e custam R$ 41 milhões ao SUS

Levantamento da SPDM revela 45.433 hospitalizações entre 2021 e 2026, com predominância masculina e permanência média de quase 29 dias

A dependência de cocaína continua a exercer forte pressão sobre o sistema público de saúde brasileiro. Um levantamento da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS) e analisado pela plataforma TechTrials, aponta que as internações relacionadas a essa dependência cresceram 19,8% entre abril de 2021 e março de 2026, totalizando 45.433 hospitalizações e consumindo mais de R$ 41 milhões em recursos públicos.

Durante esse período, foram identificados 36.861 pacientes únicos, o que indica que muitos necessitaram de múltiplas internações, reforçando o caráter crônico e recorrente da dependência química. O valor médio por internação foi de R$ 906,40, enquanto o tempo médio de permanência hospitalar alcançou 28,8 dias, refletindo a complexidade clínica e a necessidade de acompanhamento multiprofissional.

Perfil dos pacientes e distribuição geográfica

Os dados demográficos mostram que 74,2% das internações ocorreram em homens, enquanto as mulheres representaram 25,8% dos casos. Geograficamente, os gastos hospitalares concentraram-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul, que juntas responderam por mais de 90% dos custos, com 47,5% e 42,6%, respectivamente.

É importante destacar que as internações hospitalares representam apenas uma parte da demanda assistencial relacionada à dependência de cocaína, já que não incluem pacientes atendidos em serviços ambulatoriais, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou aqueles que não acessam o sistema de saúde.

Impacto na saúde suplementar

Além do SUS, a saúde suplementar também registra impacto significativo. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, entre abril de 2021 e dezembro de 2024, os planos de saúde contabilizaram 58.088 internações por dependência de cocaína, com faturamento estimado em R$ 149,7 milhões e valor médio de R$ 2.576,52 por internação.

No mesmo intervalo, o SUS registrou 32.952 internações, com repasses de aproximadamente R$ 29,8 milhões e valor médio de R$ 903,07 por hospitalização. A comparação entre os sistemas deve ser feita com cautela, pois atendem populações distintas e operam sob modelos assistenciais e financeiros diferentes.

Desafios e necessidades

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor-presidente da SPDM, destaca que “o número de internações revela apenas a parcela mais grave dos casos que chegam ao sistema de saúde. A dependência de cocaína é uma condição crônica e frequentemente associada a recaídas, exigindo acompanhamento contínuo e uma rede assistencial estruturada”.

Além dos impactos clínicos, a dependência está associada à perda de vínculos familiares, dificuldades de inserção no mercado de trabalho, vulnerabilidade social e aumento do risco de morbidade e mortalidade. O levantamento reforça a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, ampliar o acesso ao tratamento especializado e consolidar uma rede de cuidados capaz de acompanhar esses pacientes de forma contínua.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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