Afro-Amazônia: quem protege a floresta e quase nunca aparece

Quilombolas, ribeirinhos negros e outros povos afrodescendentes ajudam a conservar a Amazônia, mas seguem fora do centro das políticas climáticas.

Quando se fala em Amazônia, a imagem mais comum costuma incluir rios, floresta densa e povos indígenas. Mas existe uma outra presença essencial para entender e preservar o bioma: a da Afro-Amazônia, formada por quilombolas, ribeirinhos negros e outras comunidades afrodescendentes que há séculos vivem e produzem conhecimento na região.

Uma história antiga, ainda pouco reconhecida

A presença africana e afrodescendente na Amazônia vem do período colonial. Desde o século XVII, pessoas negras escravizadas foram levadas para a região para trabalhar na extração, na mineração, na agricultura e em outras atividades ligadas aos ciclos econômicos amazônicos. Parte dessa população fugiu e formou quilombos em áreas de difícil acesso, construindo territórios autônomos profundamente ligados à floresta.

Hoje, comunidades quilombolas amazônicas no Brasil estão presentes em estados como Pará, Amapá, Amazonas, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso. Fora do país, há territórios afrodescendentes na Colômbia, no Equador, no Peru e nas Guianas, onde grupos como os maroons mantêm formas próprias de governança comunitária e relação com a natureza.

Quem conserva, muitas vezes não aparece

Segundo estudos citados pelo Instituto Socioambiental, territórios onde vivem quilombolas tendem a apresentar menos desmatamento e maior conservação ambiental. Isso ajuda a explicar por que essas comunidades são consideradas guardiãs da biodiversidade. Elas preservam rios, nascentes, várzeas, manguezais e florestas densas com práticas baseadas em subsistência, cuidado coletivo e continuidade da vida.

Na prática, isso inclui atividades como coleta de castanhas, manejo de açaí, produção de farinha, pesca artesanal, extração de óleos e sementes, cultivo agroecológico, artesanato tradicional, uso de plantas medicinais e sistemas agroflorestais. São formas de produzir alimento e renda sem reproduzir a lógica predatória que avança sobre a floresta.

O apagamento também é político

Apesar desse papel central, os povos afro-amazônicos seguem pouco reconhecidos nas políticas públicas, nos espaços multilaterais e nos debates globais sobre clima e biodiversidade. O texto aponta que, por décadas, a cooperação internacional tratou a presença negra amazônica como uma pauta secundária, muitas vezes restrita a agendas raciais urbanas.

Nos últimos anos, movimentos como a Coalizão Internacional de Territórios Afrodescendentes da América Latina e do Caribe (CITAFRO) passaram a pressionar pelo reconhecimento formal desses povos na agenda climática. Esse debate ganhou força especialmente após a COP16 da Biodiversidade, em Cali, e nas articulações rumo à COP30, em Belém.

Clima, racismo ambiental e futuro da floresta

O texto também chama atenção para o racismo ambiental que atravessa a vida dessas comunidades: falta de titulação territorial, conflitos de terra, avanço da mineração, contaminação dos rios, insegurança alimentar e violência no campo. Tudo isso impede que parte das populações que mais protegem a Amazônia tenha acesso ao que precisa para seguir existindo.

Ao mesmo tempo, a mensagem é clara: os povos afro-amazônicos não são apenas vítimas da crise climática. Eles também carregam soluções concretas para enfrentar o desmatamento, proteger a água, conservar sementes tradicionais e manter a floresta em pé.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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